Joseph Prezioso/AFP
Joseph Prezioso/AFP

Sanders rejeita abandonar disputa democrata após vitórias de Biden 

Ex-vice-presidente americano amplia número de delegados e vantagem sobre senador, ficando cada vez mais próximo de enfrentar Donald Trump em novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 05h00

WASHINGTON - O senador Bernie Sanders rejeitou abandonar a disputa democrata, mesmo após as derrotas nas prévias de terça-feira para o ex-vice-presidente Joe Biden. 

Na quarta-feira, 11, ele afirmou que sua campanha está vencendo o embate ideológico e ganhando o voto dos jovens, mas reconheceu que vem perdendo o debate sobre “elegibilidade”, já que a maioria acredita que Biden tenha mais chance de vencer Donald Trump em novembro.

“A noite passada obviamente não foi boa. Mas nossa campanha segue vencendo entre os eleitores mais jovens, não só os de 20 anos, mas de 30 e 40 anos, com números fortes para apoiar nossa campanha”, disse Sanders, que falou diretamente a Biden, questionando sua capacidade de enfrentar os principais desafios dos EUA. 

“Joe, o que você pretende fazer?”, perguntou Sanders. “Como vai resolver os problemas do sistema de saúde, da desigualdade, das mudanças climáticas, da pobreza e do encarceramento em massa?”

A noite de terça-feira foi desastrosa para Sanders. De seis Estados, ele perdeu em quatro, incluindo Michigan, no Meio-Oeste, de caráter industrial e crucial para uma vitória contra o presidente. Em 2016, Trump derrotou Hillary Clinton no Colégio Eleitoral com os votos de Estados com perfil demográfico semelhante. 

Por isso, Michigan era importante para determinar qual dos dois – Biden ou Sanders – seria mais forte contra o republicano. O ex-vice-presidente americano venceu com folga as primárias nesse Estado, com 53% a 36% dos votos, derrotando o rival em todos os 83 condados. 

Biden também venceu as prévias de Idaho (49% a 42,5%), Missouri (60% a 35%) e Mississippi (81% a 15%). Sanders ganhou apenas em Dakota do Norte (53% a 40%), Estado com pouca importância eleitoral. A apuração em Washington, toda realizada pelo correio, não terminou, mas está empatada, com os dois candidatos dividindo os delegados estaduais. 

Com isso, Biden ampliou sua vantagem sobre Sanders no placar de delegados. Segundo projeções do New York Times, o ex-vice-presidente americano tem 864 delegados. O senador, 710. Vence a candidatura do partido quem obtiver 1.990 delegados, maioria simples de um total de 3.979, na convenção nacional do partido em Milwaukee, entre os dias 13 e 16 de julho.

O senador agora aposta todas as suas fichas nas primárias de terça-feira em quatro Estados que também são cruciais na disputa direta contra Trump: Illinois, Flórida, Ohio e Arizona. De acordo com pesquisas recentes, Biden lidera em todos com certa folga e poderia desferir o golpe final na candidatura de Sanders. 

Na quarta-feira, o senador deu pistas sobre sua estratégia de campanha. Ele agora aposta tudo no debate contra Biden, domingo, em Phoenix, no Arizona – encontro que será realizado a portas fechadas em razão da epidemia de coronavírus. 

“Trump deve ser derrotado e farei tudo que estiver a meu alcance para que isto aconteça. Na noite de domingo, no primeiro debate cara a cara desta campanha, o povo americano terá a chance de definir qual é o melhor candidato para conseguir esse objetivo”, afirmou Sanders. / AP e NYT

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.