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Sangue em Estrasburgo

Atirador da feira de Natal era conhecido da polícia e fichado como criminoso

Gilles Lapouge, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2018 | 05h00

As provações seguem sem descanso. Dificilmente a crise dos “coletes amarelos” retomará o fôlego depois de um mês de tensão e de o foco de um incêndio ter aparecido em Estrasburgo, uma bela cidade dominada pela catedral mais bonita da Europa. Lá, perto da fronteira com a Alemanha, se realiza há séculos um magnífico “mercado de Natal” que atrai multidões em torno de suas bancas e guirlandas.

Na terça-feira, no começo da noite, um homem atirou contra a multidão, matando 2 pessoas, ferindo 12, 7 delas em estado crítico. Um dos soldados que estava patrulhando sob o “Plano VigiPirates” (contra terrorismo) atirou no terrorista e feriu-o no braço. O homem conseguiu escapar pelas pessoas paralisadas. Ele chamou um táxi, que o levou para outro bairro. Em seguida, seu rastro se perdeu.

Ninguém reivindicou o crime, mas o governo diz que se trata de uma ataque terrorista. O homem era conhecido da polícia e fichado como perigoso. Após um tempo na cadeia, condenado por furto comum, autoridades dizem que ele se tornou um “radical religioso”. 

Assim, mesmo antes de ter a certeza de que este ataque era mesmo uma ação terrorista, a morte gratuita de dois inocentes traz de volta à memória algumas das piores imagens dos últimos anos: a noite de 13 de novembro de 2015, que viu um bando de assassinos, vindos da Bélgica e armados pelo Estado Islâmico, disparar aleatoriamente nas varandas dos bares e especialmente no Teatro Bataclan, com um balanço de 130 mortos.

Crise em Paris. Este ano, em Estrasburgo, a marca do jihadismo não foi oficialmente destacada. No entanto, as suposições são fortes. O terror que parecia correr sob outros céus ainda está lá, adormecido. Os partidos de oposição na França criticaram o governo por seu entorpecimento, sua negligência. O partido governista assumiu a defesa do presidente.

Mas, com Emmanuel Macron, é mais complicado. Como ele foi eleito presidente sob o slogan “nem de direita, nem de esquerda”, hoje tanto a esquerda quanto a direita expressam sua raiva, sua culpa e suas broncas. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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