Martin Bernetti/AFP
Martin Bernetti/AFP

Santiago afrouxa restrições após sete meses de isolamento

Capital chilena teve uma das quarentenas mais longas do mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2020 | 21h30

SANTIAGO - Santiago, onde vivem 7,1 dos 18 milhões de habitantes do Chile, começou nesta segunda-feira, 28, mais uma fase do desconfinamento, após cerca de sete meses de pandemia e uma das quarentenas mais longas do mundo. Na chamada “supersegunda-feira”, oito comunas adotaram medidas de relaxamento que alcançam 97% da população da capital chilena. 

As imagens foram preocupantes. Os bairros mais populosos, que mais utilizam a rede de transporte público, registraram superlotações. Apenas duas das 36 comunas da capital chilena – Renca e Paine – permaneceram em quarentena.  A população vê com cautela o fim da quarentena e o avanço das outras comunas para a terceira fase das cinco do plano de desconfinamento do governo, que permite que bares e restaurantes funcionem ao ar livre.  

O número de contágios na região metropolitana de Santiago se manteve estabilizado em cerca de 1,8 mil novos casos diários por pelo menos dois meses, um “patamar elevado”, segundo especialistas. No centro da capital, um pequeno protesto da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) dizia: “Não ao retorno seguro, nossos meninos e meninas primeiro.” 

O Chile registra atualmente 3.332 casos ativos de coronavírus, de um total de 458 mil infectados desde a chegada da covid-19 ao país. Os mortos confirmados são 12,6 mil. No entanto, se considerados os óbitos suspeitos, o número passa de 17 mil.

Autoridades chilenas indicaram que a mobilidade da população subiu 5% em relação à segunda-feira da semana passada. No entanto, os deslocamentos permanecem 35% abaixo de um ano normal. A maioria das empresas continua a trabalhar à distância, assim como as aulas em faculdades e universidades na maior parte do Chile. As lojas e os mercados operam com capacidades limitadas. 

O toque de recolher noturno segue até 15 de dezembro. Também estão mantidos os cordões sanitários entre as províncias e o fechamento das fronteiras para o turismo e para estrangeiros sem residência no país. Nesta segunda, as viagens entre regiões foram permitidas pela primeira vez desde o início da pandemia, com uma autorização prévia e um “passaporte de saúde”, o que levou a um aumento do fluxo de pessoas nos diversos terminais rodoviários de Santiago. 

Se a pandemia parece estar perdendo força no centro do país, a situação no norte e no sul permanece preocupante, especialmente na região de Magalhães, onde o número atual de infectados é superior ao do primeiro surto. Autoridades locais recuaram no plano de desconfinamento e reabertura da economia, implementado em julho. 

Uma das preocupações do governo do presidente, Sebastián Piñera, é com o plebiscito de 25 de outubro, que consultará se os chilenos querem uma nova Constituição. Piñera alertou que as pessoas infectadas que forem flagradas votando, em violação do isolamento, podem ser detidas e indiciadas por crimes contra a saúde pública. / AFP e REUTERS

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