EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA
EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA

Santos anuncia ex-ministro conservador como chefe da equipe de negociação entre governo e ELN

Juan Camilo Restrepo chefiará o grupo do governo nos diálogos de paz com o Exército de Libertação Nacional; representantes da campanha contra o acordo com Farc escreveram uma carta ao presidente e sugeriram a criação de mecanismos ‘sem interferir nas negociações’

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2016 | 10h47

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou no domingo que o ex-ministro conservador Juan Camilo Restrepo será o chefe da equipe negociadora de seu governo nos diálogos de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

"Na próxima quinta-feira, se houver as condições, se instala no Equador a mesa de negociação com o ELN para ter uma paz completa", disse Santos em pronunciamento. Ele também afirmou que nesta semana informará sobre "este grande passo e quem fará parte da equipe negociadora".

Restrepo foi ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural no governo Santos, entre 2010 e 2013, e da Fazenda e Crédito Público no de Andrés Pastrana, entre 2000 e 2001.

O chefe negociador do governo com o ELN é economista da Universidade Javeriana, tem uma especialização em direito econômico da London School of Economics, no Reino Unido, e é doutor em direito administrativo da Universidade da Sorbone, na França.

Pedido. Representantes da campanha do "não" que venceu no plebiscito do dia 2 de outubro sobre o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enviaram no domingo uma carta a Santos na qual pedem uma testemunha sem voz ou voto na renegociação do novo acordo em Cuba.

Andrés Pastrana, a ex-candidata à presidência Marta Lucía Ramírez e o ex-procurador Alejandro Ordóñez manifestaram a importância de que os colombianos vejam transparência na mesa de negociação "para superar a desconfiança" com a nova fase do diálogo.

"Centenas de versões sobre supostas formas de desconhecer a vontade popular expressada nas urnas estão minando o caminho para a paz que a Colômbia merece e provocando um mar de desconfianças", disseram os signatários do pedido.

"Para manter a confiança, respeitosamente sugerimos criar um mecanismo que sem interferir nas negociações possa servir de acompanhamento e consulta aos negociadores do governo, e garantia à sociedade", acrescentaram. "Adicionalmente poderia existir também uma testemunha na mesa de negociação com as Farc", assinalaram, pois consideram que "a transparência é fundamental para superar a desconfiança".

Depois da derrota no plebiscito, Santos convocou um grande diálogo nacional para o qual se reuniu com diferentes setores da sociedade, incluindo representantes do "não", como Pastrana, Marta Lucía e Ordóñez, e o ex-presidente Álvaro Uribe, líder do partido Centro Democrático e da oposição.

Os líderes do "não" acrescentaram que é necessário "desbloquear a paz" e para isso é preciso declarar "uma cessação bilateral e definitiva de desconfianças".

Na carta dizem também que deixam nas mãos de Santos "a maior possibilidade que existiu no país de chegar a um grande consenso pela paz". "Esta oportunidade não pode ser perdida! Ainda temos tempo de transformar esta absurda divisão da Colômbia na unidade que se necessita para uma paz estável e duradoura", assinalaram. / EFE

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