Santos deverá ter 86% da Câmara na Colômbia

Se confirmar amplo favoritismo no segundo turno de domingo, candidato de Uribe deve obter poder até para aprovar reformas na Constituição

Renata Miranda, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ

Favoritíssimo para a eleição de domingo, o candidato governista à presidência colombiana, Juan Manuel Santos, está perto de obter uma base de apoio de 232 dos 268 deputados da Câmara, ou 86% do total de cadeiras da Casa. O amplo leque de alianças formado após o primeiro turno do dia 30, no qual Santos obteve mais de 46% dos votos, deve dar a ele uma maioria superior à de seu mentor político, o presidente Álvaro Uribe.

Esses números mostram o sucesso da plataforma de "unidade nacional" e o quanto ele se beneficia do legado de Uribe. Assim, a provável "super-presidência" de Santos deverá ter apenas um partido, o esquerdista Polo Democrático, como oposição real.

"Não tenho dúvidas de que Santos ganhará por larga margem no domingo e isso dará a ele uma imensa bancada Congresso", afirmou ao Estado o cientista político Rodrigo Losada, da Universidade Javeriana, em Bogotá. As últimas pesquisas, da semana passada - a divulgação delas às vésperas da votação é proibida na Colômbia -, dão 65,1% das intenções de voto a Santos, enquanto seu rival, Antanas Mockus, do Partido Verde, tem 28%. Para Losada, a enxurrada de apoio a Santos deve-se ao indisfarçável interesse dos demais partidos de fazer parte do próximo governo. "Todos sabem que Santos deve ganhar, então, todos buscam, de alguma maneira, beneficiar-se disso."

O adesismo contamina até o partido do rival. Líderes do Partido Verde têm indicado que não integrarão o bloco da oposição, caso Mockus não se eleja. "Não vamos nos tornar um partido de oposição envenenado contra o universo", afirmou há alguns dias o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa, que, até aqui, apoia a candidatura de Mockus. Segundo o Partido Verde, a legenda tem de "apoiar o que for bom do novo presidente e criticar o que não for conveniente".

O analista Losada explica que a redução da oposição dará a Santos amplos poderes para aprovar até mesmo medidas legislativas mais polêmicas, incluindo reformas constitucionais.

A colunista do jornal El Tiempo María Jimena Duzán diz que a oposição organizada, representada pelos partidos colombianos, acabou fraturada pela ampla votação obtida por Santos no primeiro turno. Pesquisas eleitorais indicavam, antes do dia 30, que o candidato governista teria aproximadamente 30% dos votos - o que resultaria praticamente num empate técnico com Mockus. "Mas, muito além dos partidos, a verdadeira oposição a Santos estará nas ruas, com os mais de 3 milhões que votaram contra ele no primeiro turno. Trata-se de uma parcela da população que está cansada dos escândalos de corrupção, que envolveram ligações com paramilitares e escutas ilegais, que marcaram o governo Uribe."

Os dois candidatos enfrentaram-se ontem pela última vez num debate transmitido pela rede de TV RCN antes das eleições. Mockus aparentava estar mais nervoso do que seu rival e caiu em contradição algumas vezes, enquanto Santos defendeu o legado de Uribe. "O governo de Uribe mudou a história do país e eu continuarei com muitas de suas medidas", afirmou Santos.

Super-bancada

Partido de la U

76 cadeiras (27 senadores

e 49 deputados)

Conservadores

60 cadeiras (23 senadores

e 37 deputados)

Liberais

53 cadeiras (18 senadores

e 35 deputados)

Cambio Radical

21 cadeiras (8 senadores

e 13 deputados)

Integração Nacional

22 cadeiras (8 senadores

e 14 deputados)

Neutro

Partido Verde

6 cadeiras (5 senadores

e um deputado)

Independentes

17 cadeiras

Oposição

Polo Democrático

13 cadeiras

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