EFE/Andrew Gombert
EFE/Andrew Gombert

Santos pede a ELN que solte seus reféns para acelerar negociações

Presidente colombiano elogiou o anúncio feito pela guerrilha de não realizar ataques entre a sexta-feira e 5 de outubro, com o objetivo de permitir o desenvolvimento normal do referendo, que será realizado no domingo

Fernanda Simas, Enviada Especial / Cartagena, Colômbia, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2016 | 16h10

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou na noite de terça-feira que a fase pública de negociações para um acordo de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN) – que por décadas foi a segunda maior guerrilha de esquerda do país e último grupo armado em ação – poderá começar na próxima semana, desde que os guerrilheiros libertem seus reféns.

Nas ruas do país, os colombianos se preparam para o plebiscito de domingo, que sacramenta o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “Se libertarem os sequestrados, na mesma semana, a próxima, poderemos iniciar a fase pública das negociações, porque já temos com o ELN 50% da negociação”, declarou Santos em ato oficial, um dia após a histórica assinatura do acordo de paz com as Farc, a principal guerrilha do país.

O ELN – surgido em 1964 por influência da revolução cubana – e o governo do presidente Santos alcançaram em março um acordo para iniciar negociações formais de paz, que estão bloqueadas diante da insistência do grupo guerrilheiro em prosseguir com os sequestros. O grupo informou que suspenderá suas ações ofensivas entre amanhã e o dia 5 para favorecer a realização do plebiscito de domingo sobre o acordo negociado com as Farc, um gesto reconhecido por Santos.

 

Depois da assinatura do acordo de paz, os colombianos agora se preparam para o plebiscito, que definirá se o pacto será aceito pela população ou não. As campanhas já começaram. 

Nas ruas de Cartagena de Índias, os colombianos comentam a cerimônia realizada na segunda-feira nessa cidade, discutem os discursos do presidente Santos e do líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”. 

Frases pintadas em muros em apoio ao processo de paz contrastam com adesivos nos vidros de trás de táxis que pedem o “não” ao acordo.

Enquanto o governo realiza o que chama de “pedagogia da paz” – eventos em diferentes cidades para divulgar os pontos do acordo de paz –, o senador opositor e ex-presidente Álvaro Uribe realiza marchas e discursos contrários aos pactos feitos entre a guerrilha e o governo Santos.

Propagandas nas rádios explicam que o processo é a nova chance da Colômbia e pedem às pessoas que votem no domingo – o voto na consulta não é obrigatório. 

A campanha pelo “sim”, com um fundo musical, pede ainda às pessoas que “respeitem a opinião de todos”, sem intransigência e violência. Em diferentes cidades da Colômbia, cartazes pendurados nas ruas exibem o apoio ao acordo de paz, que deve pôr fim ao conflito, que já dura 52 anos e deixou mais de 220 mil mortos.  / COM  AFP 

Veja abaixo: Santos e Timochenko assinam histórico acordo de paz

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaFarcJuan Manuel Santos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.