Santos é reeleito presidente da Colômbia

Por uma estreita margem de cerca de 900 mil votos, o presidente colombiano Juan Manuel Santos foi reeleito ontem para mais quatro anos de mandato. A vitória foi um claro apoio à negociação de paz conduzida por seu governo com as guerrilhas. O comparecimento às urnas foi maior do que no primeiro turno. Ainda assim, mais da metade dos eleitores colombianos (53,5%) não votou.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2014 | 02h02

Quase 1h30 após o anúncio de sua vitória, Santos se comprometeu com a conclusão das negociações de paz e com reformas sociais em um discurso de cerca de 40 minutos na sede de sua campanha, em um bairro de classe média alta de Bogotá. "Este é o momento de terminar o longo e cruel conflito, de respeitar as vítimas, de reconstruir as regiões flageladas pela guerra e de nos unirmos em torno da paz", declarou. "Este é um recado claro para as Farc. Este é o fim de 50 anos de violência e o começo de uma Colômbia com mais justiça, em paz consigo mesma."

Com todos os votos apurados, Santos venceu com 7,8 milhões de votos. Seu rival, Óscar Iván Zuluaga, afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe, que defendia a suspensão do processo de paz, obteve 6,9 milhões. A campanha foi marcada por denúncias e acusações recíprocas e por propagandas agressivas no rádio e na TV.

Analistas foram unânimes em apontar o baixo nível como principal razão da abstenção alta - no primeiro turno, 61% dos eleitores não votaram. A disputa entre Santos e Zuluaga também se orientou para uma elevada polarização sobre os 50 anos de conflito contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), guerrilhas ligadas ao narcotráfico e a sequestros e extorsões.

Na última semana de campanha, Santos conseguiu dois avanços fundamentais nas negociações de paz. Primeiro, a decisão das Farc de reconhecer suas vítimas. Depois, a adesão do ELN ao diálogo. Ele recebeu apoio de organizações de direitos humanos, ambientalistas e indígenas, além dos candidatos de esquerda derrotados no primeiro turno. Zuluaga insistiu na punição aos guerrilheiros e no uso da força para derrotar as Farc. Na reta final da campanha, ele cancelou debates e eventos públicos em razão de uma laringite, enquanto Santos aproveitou para ampliar sua exposição.

"Do fundo do meu coração, agradeço aos 7 milhões de colombianos que me permitiram ser seu candidato. Por convicção democrática, devo felicitar o presidente Santos por seu triunfo", declarou Zuluaga, ao reconhecer a derrota.

A votação transcorreu com tranquilidade em todo o país das 8h às 16h de ontem. Candidato do partido da Unidade Nacional, Santos votou pela manhã na Praça Bolívar, centro de Bogotá. Zuluaga, do partido Centro Democrático, votou com a família em uma escola do bairro Country, da capital colombiana, cercado por 25 agentes de segurança.

Logo após votar, o ex-presidente Álvaro Uribe, que jogou todo o seu capital político na candidatura de Zuluaga, denunciou que guerrilheiros da Farc estariam ameaçando matar eleitores do opositor. "Armados com fuzis, eles (os guerrilheiros) obrigam as pessoas a votar no presidente Santos sem que elas pronunciem uma só palavra", garantiu o ex-presidente. A denúncia, porém, não foi comprovada.

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