AP Photo/Fernando Vergara
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Santos e Uribe discutem paz com as Farc nesta quarta-feira

Dois dias depois de vitória do não em plebiscito sobre fim da guerra, governo tenta que oposição e guerrilha façam concessões

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2016 | 18h39

BOGOTÁ - Sem plano alternativo para salvar o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente Juan Manuel Santos decidiu na noite desta terça-feira, 4, se reunir com seu antecessor, Álvaro Uribe, principal crítico do processo de paz hoje em Bogotá. Outro presidente, Andrés Pastrana, também participará da reunião. O encontro ocorrerá na manhã desta quarta-feira, 5. Em Cuba, uma delegação do governo discute com a guerrilha se há possibilidade se reabrir as negociações para mexer nas cláusulas do pacto. 

“Se eu tiver que me reunir com o presidente, o farei para dizer: presidente, nossas preocupações são essas”, afirmou Uribe antes da definição da reunião. “Pelo bem da democracia, temos que perguntar ao presidente se há vontade de corrigir os acordos e saber até onde ele está disposto a ir.”

Santos deve receber também uma delegação do partido de Uribe, o Centro Democrático, para receber as reivindicações da campanha do não. Fazem parte dela Oscar Ivan Zuloaga, derrotado nas eleições de 2014, o ex-candidato a vice Carlos Holmes Trujillo e o senador Iván Duque.

Uma renegociação do acordo depende de as Farc aceitarem condições mais duras, aliadas a uma moderação nas posições de Uribe. “A decisão de abrir, ou não, os acordos é mais uma decisão das Farc”, disse a chanceler Maria Angela Holguín. “O acordo foi encerrado e assinado em 26 de setembro. Assim, a decisão não é do governo.”

O ex-presidente não quer membros da guerrilha com representantes no Congresso e tem restrições a anistia a seus membros, mas já sinalizou que aceitaria a anistia ao guerrilheiros que não tenham cometido crimes atrozes.

Uma delegação composta pela chanceler, o negociador-chefe Humberto de la Calle e o ministro da Defesa Luis Carlos Villegas está em Havana para discutir os próximos passos com representantes das Farc. A chanceler reconheceu que Bogotá não tinha um plano B para uma derrota no plebiscito, no qual o não ao acordo venceu por 0,4 ponto porcentual. 

A ministra disse esperar que a reunião com os porta-vozes do Centro Democrático, partido de direita liderado por Uribe, aconteça o mais rápido possível. Sobre como a comunidade internacional recebeu a rejeição ao acordo, após o apoio dado aos diálogos de quase quatro anos, Holguín disse lamentar a repercussão negativa do resultado do plebiscito.

“Todas as ligações que recebi foram de decepção e de que não entendem como um país não opta pela paz. Mas, ao mesmo tempo, ouvi muitos apoiadores e muitos dizendo ‘espero que as forças políticas tenham maturidade para ver rapidamente como se pode retomar o caminho do fim do conflito’”, afirmou.

A respeito dos recursos que muitos países tinham prometido à Colômbia para implementar o acordo, a ministra disse: “Tudo fica congelado. Os países vão esperar para ver o que acontecerá para contribuir.” 

Guerrilha. As Farc, por sua, vez reiteraram que renunciarão às armas. “Os acordos de paz gozam de respaldo internacional e foram construídos em intensos debates durante seis anos”, disse um dos líderes da guerrilha, Pablo Catatumbo. “A paz não se detém.”

Na madrugada de ontem, Santos já tinha dito que estava disposto a para sentar-se para dialogar e levar o processo de paz ao final feliz. “Teremos que atuar com prontidão e colocar limites de tempo, pois a incerteza e a falta de clareza sobre o que acontecerá colocam em risco tudo o que foi construído até agora”, afirmou. /AFP e AP

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