AFP PHOTO / GUILLERMO LEGARIA
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Santos inaugura centro de reabilitação para militares no 1º dia de cessar-fogo

Trégua resultada da negociação de paz com a guerrilha Farc teve início à zero hora de ontem; chanceler afirma que assinatura protocolar do acordo poderá ocorrer durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, no mês que vem 

O Estado de S. Paulo

30 Agosto 2016 | 05h00

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, agradeceu ontem aos militares que deram a vida ou foram feridos durante o conflito armado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em sua primeira declaração após o início do cessar-fogo definitivo com a guerrilha. Ele se pronunciou ao inaugurar o Centro de Reabilitação Inclusiva para feridos em combate. 

“Graças ao sacrifício e ao patriotismo de nossos soldados e policiais, a dívida de gratidão é infinita”, disse o líder na inauguração do centro, em Bogotá, construído com a cooperação do governo da Coreia do Sul. 

Para Santos, era uma “feliz coincidência” a inauguração ontem do centro para “ressarcir os heróis da pátria” no mesmo dia em que em começava o cessar-fogo definitivo com as Farc, produto do acordo de paz anunciado na quarta-feira em Havana.

O esperado cessar-fogo bilateral e definitivo entre o governo colombiano e as Farc começou à zero hora local (2h em Brasília) de ontem, uma decisão histórica que encerra 52 anos de conflito armado no país. O acordo ainda passará pela aprovação da população em um plebiscito no dia 2 de outubro. 

“Neste 29 de agosto começa uma nova história para a Colômbia. Silenciamos os fuzis. Acabou a guerra com as Farc!”, escreveu o presidente em sua conta no Twitter. 

No primeiro minuto do dia, as mensagens relacionadas ao início do cessar-fogo inundaram as redes sociais para anunciar o que se denominou popularmente de um “novo amanhecer” para o país. “A partir desta hora, os colombianos começam a viver um momento histórico e desejado por anos #AdiosALaGuerra”, publicou a chancelaria em sua conta no Twitter. 

Na inauguração do centro, mais tarde, o chefe de Estado explicou que, na Colômbia, há 9.639 integrantes da Polícia que, em cumprimento de suas funções, ficaram em situação de incapacidade. Por isso, segundo ele, o local “é apenas uma rocha de areia para ressarcir” e “gerar reconciliação”. O conflito de mais de cinco décadas com o grupo guerrilheiro deixou cerca de 8 milhões de vítimas e 220 mil mortos.

Embora as negociações em Cuba tenham transcorrido sem uma trégua na Colômbia, as Farc mantinham desde 20 de julho de 2015 um cessar-fogo unilateral, ao qual o governo respondeu com a suspensão dos bombardeios aéreos, embora sem deixar de persegui-las.

Ainda ontem, a chanceler María Ángela Holguín afirmou que o governo colombiano estuda a possibilidade de assinar formalmente o acordo de paz com as Farc durante a Assembleia Geral da ONU, que ocorrerá em Nova York, no mês que vem. 

Segundo explicou a ministra, essa possibilidade já foi “conversada com o secretariado das Farc (principal órgão da guerrilha) e com a ONU”. “Não é uma decisão já tomada, estamos olhando detalhadamente, não é algo fácil, então anunciaremos a decisão de onde será a assinatura”, acrescentou María Ángela, na Casa de Nariño, ao lado da equipe negociadora do governo para explicar os alcances do acordo de paz e da suspensão do fogo bilateral e definitivo que começou ontem.

A data da assinatura é um assunto crucial porque um dia depois começará a contar o prazo de 180 dias para o desarmamento e a desmobilização das Farc sob supervisão de uma comissão internacional liderada pela ONU. 

O presidente do Partido Conservador da Colômbia, David Barguil, relatou ontem que, em um encontro com o papa Francisco no dia anterior, o pontífice afirmou esperar que o acordo alcançado “dê uma paz estável e duradoura” ao país. O dirigente político acrescentou que o papa visitará a Colômbia no próximo ano, ainda sem uma data definida. 

Críticas. Mas nem todos celebraram o acordo ontem na Colômbia. O ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe reiterou suas críticas às negociações e afirmou que o anúncio do fim do conflito entre o governo e as Farc “leva os colombianos a uma falsa ilusão”. “Os acordos com as Farc são um mau exemplo; eles dizem aos colombianos que assassinar ou sequestrar policiais não têm castigo”, disse Uribe. / EFE, REUTERS e AFP 

 

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