EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Santos oferece asilo na Colômbia a chavista dissidente

Governo venezuelano critica auxílio e acusa Bogotá de ‘proteger a corrupção e o crime’

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2017 | 18h53

BOGOTÁ -  ]O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse ontem que a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, ex-procuradora-geral da Venezuela, está sob proteção do governo de seu país e receberá asilo político se o requerer. Ortega chegou na sexta-feira à Bogotá, após fugir de lancha da Venezuela via Aruba. A medida deve aprofundar a crise entre os vizinhos e foi criticada por autoridades chavistas. 

O anúncio foi feito por Santos em sua conta no Twitter. Ortega deixou a Venezuela após ter sido destituída pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC) convocada pelo chavismo e denunciada pela oposição como fraudulenta.  Ela se distanciou com o governo em março por não concordar com a interferência do Judiciário no Parlamento, controlado pela oposição. A convocação da ANC selou a ruptura. Hoje ela se diz perseguida política. 

O governo venezuelano respondeu à decisão de Santos com críticas. O chanceler Jorge Arreaza disse que o presidente colombiano optou por proteger a corrupção e o crime ao abrigar Ortega. “Bogotá se converteu no centro da conspiração contra a democracia e a paz na Venezuela”, disse. “O que esperar de um governo que abriga em seu seio oligárquico o chefe do golpe de 2002 contra o comandante Chávez ( o líder empresarial Pedro Carmona)”.

Até agora, autoridades colombianas não esclareceram qual o status migratório da ex-procuradora, que chegou ao país ao lado do marido, o deputado chavista dissidente Germán Ferrer, que tem contra si um mandado de prisão emitido pela Justiça chavista. O casal também teve os bens congelados e foi proibido de deixar a Venezuela.

Antes de deixar o país, Ortega participou por telefone de um encontro de procuradores em Puebla, no México. No seu pronunciamento, ela acusou Maduro de ter recebido propina da Odebrecht. “Temos detalhes de todas as quantias e personagens que enriqueceram e a investigação envolve Maduro e seu entorno”, disse. A Odebrecht diz estar colaborando com as investigações. 

Maduro reagiu às acusações dizendo que Ortega e Ferrer que estão envolvidos em irregularidades. “A procuradoria extorquia e protegia setores corruptos”, disse. 

Além da ex-procuradora e seu marido, estão na Colômbia cinco magistrados venezuelanos nomeados pelo Parlamento de maioria opositora, que denunciou a tomada de funções pela Assembleia Constituinte na sexta-feira passada. Os juízes fugiram diante do assédio do governo de Maduro, que desconsiderou a eleição da Corte Suprema pela maioria opositora e ordenou a detenção dos 33 magistrados nomeados em 21 de julho, segundo Pedro José Troconis, um destes juízes.

Após chegar ao poder em 2010, Santos recompôs as relações bilaterais com a Venezuela e qualificou de “novo melhor amigo” o então presidente Hugo Chávez, padrinho político de Maduro, com quem até agora havia mantido uma relação estável, embora não livre de tensões.

Mas diante das últimas decisões de Maduro, Santos o acusou de levar a Venezuela para uma ditadura e apoiou as sanções econômicas dos Estados Unidos contra o presidente e outros dirigentes chavistas.

Ainda ontem, o governo do Chile ofereceu mediação para a crise política na Venezuela. O governo de Maduro espera usar a Cúpula dos Estados da América Latina e Caribe (Celac) para obter algum grau de respaldo regional. / AFP e REUTERS

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