Santos pede mais provas de que Farc querem a paz

Presidente da Colômbia visita no hospital ex-reféns soltos pelo grupo e diz que valoriza a decisão de libertá-los

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2012 | 03h04

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, visitou ontem em um hospital militar de Bogotá os dez reféns libertados na segunda-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ele elogiou a decisão unilateral da guerrilha de soltá-los, mas pediu provas concretas de que o grupo pretende pôr fim ao conflito, que já dura 48 anos.

"Valorizamos a dimensão desse passo (da libertação unilateral), mas não é suficiente. Queremos mostras mais fidedignas de sua intenção de terminar o conflito", disse Santos, que visitou os ex-reféns ao lado do ministro da Defesa Juan Carlos Pinzón e comandantes militares. "Espero que esses sejam os últimos reféns das Farc e o grupo cumpra com a promessa de não sequestrar mais ninguém."

Os reféns, libertados em uma operação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha com apoio logístico do Brasil, foram examinados e estão em boas condições gerais de saúde, mas devem permanecer internados na Clínica da Polícia Nacional para passar por exames mais aprofundados. Eles se reuniram brevemente com seus parentes e evitaram falar sobre o drama de ao menos 13 anos de cativeiro.

"Pudemos vê-lo um pouquinho na segunda-feira à noite", disse Javier Romero, irmão do comissário de polícia Jorge Romero. "Ele não quis falar do cativeiro. Apenas queríamos que ele sentisse um pouco do carinho que não teve em 13 anos."

Ainda de acordo com o irmão do ex-refém, as Farc permitiam que as vítimas ouvissem mensagens da família durante o cativeiro. "Ele está um pouco mais magro e sua aparência um pouco diferente. Mas está lúcido. Lembra-se dos que conhecia e perguntou pelos que não conhecia."

Norma Trujillo, mulher do sargento de polícia José Libardo Trujillo, disse que o marido se emocionou ao ver a filha e o filho. "Ele se parece muito com meu marido", afirmou. O policial ficou 13 anos em cativeiro.

Os EUA, a Organização dos Estados Americanos e ONGs de defesa dos direitos humanos elogiaram a libertação. Na mesma linha de Santos, Washington pediu "mais avanços" para a pacificação do país e elogiou a participação da Cruz Vermelha e do Brasil na libertação dos reféns. / EFE e AFP

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