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AFP PHOTO / GUILLERMO LEGARIA
AFP PHOTO / GUILLERMO LEGARIA

Santos pede que elites apoiem e votem a favor do acordo de paz com Farc

Presidente da Colômbia disse que apesar de não ser um tratado perfeito, é melhor votar por ele do que sofrer mais décadas com a guerra

O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2016 | 17h25

BOGOTÁ - O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, pediu neste domingo, 4, às elites de seu país que apoiem o acordo de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e disse que apesar de "imperfeito", é preferível votar por ele do que sofrer com mais décadas de guerra.

"Estou certo de que o povo colombiano tem inteligência para pensar que, embora não seja uma paz perfeita, é melhor que mais 20 ou 30 anos de guerra", declarou Santos em uma entrevista ao jornal El País.

Segundo o acordo anunciado em 25 de agosto após quatro anos de negociações, o desarmamento das Farc deve ser concluído em 180 dias. O acordo será assinado em 26 de setembro e submetido a um plebiscito em 2 de outubro.

As partes também entraram em acordo sobre a forma de julgar militares e rebeldes acusados dos crimes mais graves durante um conflito que deixou oficialmente 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados. A anistia está prevista para os que tiverem cometido os atos menos graves, como rebelião ou posse ilegal de armas.

As críticas ao acordo também estiveram presentes, especialmente por parte do antecessor de Santos, o conservador Álvaro Uribe (presidente de 2002 a 2010), contrário ao acordo pois, segundo ele, garante a impunidade de integrantes do alto escalão da guerrilha.

O tribunal que será criado para julgar os crimes mais graves "tem de trabalhar com muita eficiência e abordar em primeira instância os casos mais significativos para dar credibilidade e fazer as pessoas perceberem que a justiça está sendo aplicada”. Ainda assim, “conseguir aplicar veredictos sobre todos os casos de 52 anos de guerra é impossível", admitiu Santos, pedindo "pragmatismo".

"A atitude das vítimas foi uma das grandes lições deste processo. Pensei que seriam os mais duros e foram os mais generosos, os mais dispostos a perdoar", acrescentou o presidente colombiano.

Veja abaixo: Colombianos festejam acordo de paz

"Não entendo como meus companheiros de elite - porque pertenço a ela, sou membro dos clubes mais exclusivos da capital -, se deixam desinformar sobre os benefícios da paz", prosseguiu. "Sinto-me às vezes triste de que exista gente que depois de ter a informação não entenda a importância de dar este passo para deixar a todos os nossos filhos um país mais tranquilo", acrescentou Santos.

O processo de negociação "foi difícil, mas construir a paz será ainda mais complicado", afirmou o presidente colombiano ao El País. Apesar disso, o acordo "mudará a história da Colômbia". / AFP

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