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Santos pedirá perdão em nome do Estado por ação no Palácio de Justiça em 1985

Presidente da Colômbia participará de ato público em cumprimento de medida de reparação ordenada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso de 1 dos 11 desaparecidos na ação

O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2015 | 12h19

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pedirá perdão em nome do Estado pela operação militar para recuperar o controle do Palácio de Justiça após o local ter sido tomado por guerrilheiros, um confronto no qual morreram cerca de cem pessoas e que completa 30 anos na sexta-feira, 6. A iniciativa será tomada "em cumprimento da medida de reparação ordenada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) no caso de um dos 11 desaparecidos oficialmente", conforme anunciou a presidência.

No dia 6 de novembro de 1985, o Palácio de Justiça de Bogotá foi tomado pelo grupo Movimento 19 de Abril (M-19). A ação foi seguida por uma operação militar para retomar o controle do local, na qual morreram, entre outros, 11 juízes da Corte Suprema de Justiça.

A sentença da CIDH, de 14 de novembro de 2014, é sobre o caso de Carlos Augusto Rodríguez Vera, administrador da cafeteria do Palácio, e outros dez desaparecidos.

O órgão condenou o governo da Colômbia por sua responsabilidade no sumiço e ordenou que os fatos fossem esclarecidos, além de punir os responsáveis e pagar indenizações às vítimas.

Na decisão, a CIDH considerou depoimentos que revelam que parte dos desaparecidos foi reconhecida por familiares e amigos em vídeos ou fotografias da saída de reféns do Palácio de Justiça.

"Vários deles foram depois enviados a instalações militares. Uma vez detidos, foram submetidos a torturas e, posteriormente, desapareceram porque a polícia os considerava como suspeitos de ter colaborado com o M-19", afirmou a sentença.

Segundo a presidência colombiana, o "Ato Público de Reconhecimento Internacional do Estado pelos fatos ocorridos no caso e as violações declaradas pelo Tribunal Internacional" será realizada no Palácio de Justiça, que foi reconstruído depois ter sido arrasado na ação dos guerrilheiros.

No ato, Santos será acompanhado por ministros, familiares das vítimas, organizações de direitos humanos, funcionários do Judiciário e da comunidade internacional. / EFE

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