Santos propõe acabar com serviço militar obrigatório

Proposta do presidente e candidato à reeleição é transformar o trabalho em serviço social para atender a áreas carentes no país

O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2014 | 16h46

BOGOTÁ - O presidente e candidato à reeleição na Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou ontem em entrevista a uma rádio local que acabará com o serviço militar obrigatório "tão logo assinarmos o acordo de paz com as Farc". As negociações de paz do governo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são tema central da campanha no segundo turno das eleições presidenciais, a se realizar no dia 15, entre Santos e o candidato da oposição, Óscar Iván Zuluaga.

A proposta de Santos é converter os serviço militar obrigatório em um serviço social. "Não importa a classe", disse ele. "Vamos fazer isso depois que acabarmos com esse conflito." O trabalho se concentraria nas zonas mais carentes do país, de acordo com o plano. "Esse seria um fator de igualdade porque colocaríamos a todas as classes para trabalhar", completou.

O anúncio, reproduzido no perfil de Santos no Twitter, foi feito depois de ele defender um comercial de TV sobre o fim do conflito. Na peça publicitária, Santos aparece perguntando a vários chefes de família se estariam dispostos a continuar emprestando seus filhos para a guerra.

O vídeo repercutiu negativamente na oposição e entre os militares aposentados, de acordo com o jornal colombiano El Espectador. "Não acho que há uma declaração imprópria", disse ele. "Só queria dizer ao país que esta guerra quem faz são os filhos de camponeses e dos mais pobres."

"A extrema direita e quem quer continuar a guerra não enterrou os mortos, nunca fez nenhum tipo de sacrifício. Todos os dias temos uma mãe que está chorando o seu filho, uma mãe pobre que está enterrando os seus filhos", acrescentou o chefe de Estado.

O presidente candidato reiterou que hoje mais do que nunca "temos a possibilidade de acabar com a guerra" e manifestou sua gratidão aos policiais e militares que arriscaram suas vidas pela pátria e disse que "a sociedade colombiana não tem como compensar seu sacrifício e trabalho".

"Sou defensor e promotor do bem estar das forças. O que está fazendo a extrema direita é tergiversar. Seus filhos e os filhos de seus amigos nunca prestaram serviço militar", acrescentou. Neste sentido, explicou sua proposta de eliminar o serviço militar obrigatório, assim que se assine o acordo de paz, já que não é justo que quem coloque os filhos na guerra seja as famílias mais pobres da Colômbia".

E acrescentou que não quer enfraquecer as Forças Armanas, porque tanto o Exército, como a Marinha, a Força Aérea, a Armada e a Polícia estão em seu melhor momento.

 

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