"Sapato-bomba" não derrubaria avião, dizem franceses

A quantidade da substância explosiva encontrada sábado na sola dos tênis do passageiro do vôo 63, Paris-Miami, da American Airlines, era insuficiente para derrubar o avião - um Boeing 767, informaram hoje autoridades policiais francesas.O FBI trabalha com várias hipóteses para o material encontrado nos tênis: Semtex, PETN ou RDX - versões do C-4, explosivo usado no atentado de outubro de 2000 no Iêmen contra o destróier USS Cole, que causou a morte de 17 marinheiros norte-americanos. Mas a grande dúvida reside na potência do já chamado "sapato-bomba".Segundo as autoridades francesas, havia nos tênis cerca de 200 gramas de pentrita granulada, à base de acetona e muito usada em fogos de artifício caseiros. Poderia ter provocado danos e ferimentos em pessoas acomodadas nas proximidades, ressaltaram as fontes. De qualquer forma, a França redobrou a vigilância nos aeroportos. Passageiros estão sendo forçados a tirar os sapatos e passá-los pelo raio X.O passageiro, identificado pelo passaporte britânico que portava como Richard Reid, de 28 anos, foi dominado pela tripulação e por alguns dos passageiros do avião, quando tentava por fogo num pavio atado aos tênis. Havia 197 pessoas a bordo - 12 das quais tripulantes.O incidente foi comunicado à torre de controle do Aeroporto Internacional de Logan, em Boston. Dois caças-bombardeiros F-15 levantaram vôo imediatamente a escoltaram o Boeing até Logan, onde os passageiros foram desembarcados.Reid foi entregue a agentes do FBI, que colheram depoimentos de todos os passageiros. Hoje, Reid ouviu as acusações que pesam sobre ele num tribunal de Boston: "Impor obstáculos aos trabalhos de bordo, agressão e intimidação." Se for considerado culpado, poderá ser condenado a até 20 anos de prisão.A identidade dele causou confusão nos EUA, Grã-Bretanha e França. Hoje, a Scotland Yard já admitia como possível que ele seja mesmo cidadão britânico. Mas não está afastada a hipótese de que tenha obtido o passaporte com documentação falsa. Segundo as autoridades francesas, ele seria natural de Sri Lanka e teria adotado os nomes de Tariq Raja ou Abdel Rahim, quando converteu-se ao islamismo.O FBI investiga se Reid agiu por conta própria ou integra algum grupo extremista. Ele viajava só e não levava bagagens. Antes de embarcar em Paris, ele havia sido interrogado pelos franceses que o acabaram liberando.

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