Saques deixam 7 mortos na Argentina

Celebração dos 30 anos da volta da democracia no país ocorre em meio a descontrole nas ruas

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2013 | 02h05

Os argentinos celebraram ontem os 30 anos da volta à democracia, em meio à turbulência provocada por greves das forças de segurança em 17 das 24 províncias de seu país. Houve sete mortes nos últimos dois dias - com os casos da semana passada, já são 10 as vítimas de assaltos e confrontos com a polícia.

Milhares de comércios e residências foram saqueados durante a paralisação policial. O governo de Cristina Kirchner afirma que os policiais - que em alguns casos exigem aumentos salariais de até 100% - estão tentando "extorquir" a Casa Rosada e os saques são fruto de uma "conspiração".

O vice-ministro da Justiça, Julián Álvarez, afirmou que diversos grupos estão organizando pelo Facebook saques em todo o país para o dia 20 - aniversário da queda do presidente Fernando de la Rúa, em 2001, quando saques assolaram todo o país.

O chefe do gabinete de ministros de Cristina, Jorge Capitanich, deu sinais ontem de não estar disposto a ceder às pressões dos policiais enquanto persistirem as greves: "Nenhuma reclamação pode ser feita por meio de violência". A onda de saques se iniciou na semana passada em Córdoba, a segunda maior cidade da Argentina. Na ocasião, duas pessoas morreram com a violência dos assaltos. Mais de mil lojas e residências foram invadidas pelos saqueadores, que roubaram eletrodomésticos, colchões e televisores. Em alguns casos os saqueadores também levaram alimentos.

O governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, autorizou aumentos salariais aos policiais.

Enquanto isso, o governador de Córdoba, José Manuel de la Sota, reclamava do cenário que enfrentou semana passada em sua província: "A polícia não pode declarar greve, já que os ladrões nunca entram em greve." Pouco depois, o governador da Província do Chaco, Juan Carlos Bacileff Ivanoff, também aparecia na TV para reclamar que contava com apenas 110 gendarmes. Segundo ele, a onda de saques que assolou sua província "quase termina em massacre". Na capital provincial, Resistencia, três pessoas morreram.

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