REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Saques e barricadas afetam a Grande Caracas

Opositores erguem bloqueios para evitar a repressão da polícia chavista em Los Teques

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 05h00

CARACAS - Em meio à grave crise econômica e política que afeta a Venezuela, a cidade de Los Teques, na região metropolitana de Caracas viu seu cotidiano se transformar na última semana em um cenário de saques e violência. Enquanto mercados, padarias e outras lojas são saqueados, jovens mascarados com armas e bombas caseiras controlam o acesso a alguns bairros da cidade. 

Dono de uma padaria na cidade, Manuel Fernandes viu sua Mansão do Pão ser destruída na madrugada de quarta-feira por saqueadores que, a exemplo do que ocorreu em abril no bairro caraquenho de El Valle, quando 11 pessoas morreram ao saquear um mercado. 

“Eram centenas de pessoas. Eles quebraram vidraças, o balcão, as geladeiras”, disse Fernandes. “Levaram tudo: presunto, queijo, leite, todo o equipamento. Dediquei minha vida a isso. Minha família depende de mim.”

Das 44 mortes provocadas pela onde de violência nos protestos contra Maduro este ano, cerca de um quarto delas ocorreu em Los Teques, onde jovens antichavistas criaram um “comando de resistência” contra o governo. A entrada de pessoas estranhas ao bairro é controlada pelos mascarados. 

“Nossas famílias são humildes e não temos nada a perder. Não tenho dinheiro nem para o ônibus ou para comer”, disse Alfredo, de 28 anos, um dos responsáveis pelas barricadas. “O tirano do Maduro destruiu tudo.”

Com pedras, paus e bombas incendiárias, os jovens patrulham as ruas, fechadas com galhos, móveis e lixo. Óleo é jogado nas ruas para sabotar a passagem de veículos da Guarda Nacional Bolivariana. Arame farpado também é usado. Vizinhos oferecem arepas aos mascarados em agradecimento pela “proteção”. 

“Você vê que eles nos apoiam”, disse Micky, outro manifestante de rosto coberto. “Não somos golpistas. Tudo que queremos são eleições.”

Maduro governa a Venezuela há quatro anos, desde que foi eleito por uma pequena margem para substituir o presidente Hugo Chávez, morto vítima de câncer em 2013. Sem o carisma e as receitas abundantes do petróleo do antecessor, Maduro viu a economia do país entrar em colapso graças a um misto de reservas escassas de moeda forte, controle de preço, corrupção e hiperinflação. 

Desde que a atual onda de protestos começou, depois de o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) anulou as competências legislativas da Assembleia Nacional, o presidente acusa a oposição de montar uma insurreição armada apoiada pelos Estados Unidos para derrubá-lo. 

Com a crise, a escassez de alimentos e remédios está piorando e a inflação, que este ano deve superar os 700% tem dizimado o poder de compra da população. Líderes chavistas dizem que os empresários ligados à oposição travam uma “guerra econômica contra o governo.

“Vou fechar a padaria. Agora, as mesmas pessoas que fizeram isso comigo não terão mais onde comprar comida”, disse Manuel Fernandes. “Por que estamos nos machucando e brigando uns com os outros dessa maneira. /REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.