Saques são relatados no Cairo; população se arma contra ataques

Polícia desapareceu das ruas da capital, segundo moradores; Exército reforça patrulha

Associated Press

29 de janeiro de 2011 | 19h05

 

CAIRO - Os moradores de Cairo estão atentos dentro de suas casas e formaram equipes de vigilância em suas vizinhanças neste sábado, 29, para evitar saques estimulados pelo caos que reina na capital do Egito. Apesar da presença do Exército nas ruas, os egípcios protegem suas casas e comércios com pistolas, bastões e facas.

 

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Há relatos de gangues de jovens, alguns usando motos, andando pelas ruas, saqueando supermercados, lojas e shoppings. Alguns desses grupos estão agindo em áreas residenciais, invadindo casas luxuosas. Tiros foram ouvidos em diversas regiões da capital.

 

Com a situação da segurança se deteriorando e fugindo do controle das autoridades, o Exército passou a fazer patrulhas em várias áreas para reforçar a vigilância, segundo a televisão estatal. O grupos que se organizaram para lutar contra os saqueadores estão se identificando com um lenço branco amarrado no braço, segundo relatos da CNN.

 

Há pessoas nas ruas apesar do toque de recolher imposto pelo governo, que está em vigor das 16 horas às 8 horas da manhã seguinte (das 10 horas às 2 do dia seguinte em Brasília). A polícia parece ter se retirado das ruas e abandonado as atividades.

 

O Ministério da Defesa pediu o fim dos saques. O porta-voz da pasta afirmou que o Exército atuará contra os saqueadores e que as Forças Armadas estão comprometidas com a segurança do país. Ele ainda alertou para o desrespeito ao toque de recolher.

 

Os saques são estimulados pelo clima de insegurança criado pelos protestos em favor da renúncia do presidente Mubarak, que ocorrem desde a terça-feira em várias cidades do Egito. Mubarak está há quase 30 anos no poder.

 

Os distúrbios, batizados de "Dia da Fúria" por alguns ativistas na internet, foram inspirados na "Revolução do Jasmim", que derrubou o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, há duas semanas. No Iêmen e na Jordânia também foram registradas manifestações.

 

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