Saramago e Almodóvar lançam manifesto contra a guerra

O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura, e o aclamado diretor de cinema Pedro Almodóvar, lideram um campanha de intelectuais europeus contra um ataque dos Estados Unidos ao Iraque. Domingo, em Madri, as duas personalidades reúnem mais de 100 escritores e artistas europeus para lançar um manifesto que pedirá que os governos europeus não apoiem a guerra. A iniciativa foi inspirada no histórico Congresso de Intelectuais Antifascistas, que ocorreu em 1936 e que pedia, entre outras coisas, um entendimento entre os líderes europeus para se evitar uma guerra.Desta vez, porém, o grupo se chama Aliança de Intelectuais Antiimperialistas. "A guerra não é inevitável. A guerra é o fracasso da política e da razão", afirma o manifesto de cinco páginas, obtido pela AE. O objetivo do documento, portanto, é mostrar que existe espaço para uma alternativa à guerra. "Queremos mostrar que podemos, a partir da cultura, deter a máquina de guerra e de repressão que foi colocada em marcha pelo governo dos Estados Unidos e por seus aliados", afirma o manifesto.Para esses intelectuais, a guerra contra Bagdá "não é mais do que uma nova agressão imperialista com o objetivo de consolidar, a qualquer preço, a hegemonia norte-americana". "O imperialismo pretende substituir a livre circulação de idéias por um pensamento único. Temos que contra-atacar com nossos instrumentos de trabalho - as idéias, as palavras e as imagens", dizem os intelectuais. O manifesto ainda afirma que o silêncio é a covardia dos intelectuais e pode se converter na traição à cultura e à humanidade. "Nosso inimigo tem a segunda arma mais poderosa: o dinheiro. Mas nós temos a primeira: a razão", diz o documento assinado por Saramago, Almodóvar e outros.

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