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Sargento americano Bowe Bergdahl se livra da prisão por deserção

Ele poderia ser condenado à prisão perpétua pela acusação de 'mau comportamento diante do inimigo'. O presidente americano Donald Trump criticou a sentença

O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2017 | 18h04

O sargento americano que abandonou seu posto em uma base no Afeganistão durante um ataque e foi capturado pelos talibãs se livrou de cumprir pena de prisão por deserção. O juiz militar e coronel Jeffery Nance ordenou a baixa desonrosa de Bowe Bergdahl, de 31 anos, que foi rebaixado a soldado. Ele também terá de pagar uma multa de US$ 10.000, que será descontada de seu salário em 10 parcelas de US$ 1.000, segundo o Pentágono.

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Bergdahl foi capturado pelos talibãs depois de ter abandonado sua posição perto da fronteira com o Paquistão em 30 de junho de 2009. Ele foi mantido refém durante cinco anos até que o governo americano concordou em trocá-lo, em 2014, por cinco talibãs detidos em Guantánamo. Bergdahl, julgado em Fort Bragg, na Carolina do Norte, corria o risco de ser condenado à prisão perpétua depois de se declarar culpado das acusações de deserção e de colocar seus camaradas de armas em risco.

Na ocasião, o caso serviu para inflamar ainda mais as divisões políticas no país. Muitos consideram Bergdahl uma vítima dos mais de 16 anos de conflito no Afeganistão. Sua defesa, inclusive, alegou que Bergdahl sofria de problemas psicológicos. Outros o classificam como desertor, porque sua ação provocou sérios ferimentos a outros integrantes do Exército. As Forças Armadas realizaram duas operações de busca para tentar resgatar Bergdahl, e em ambas soldados acabaram gravemente feridos.

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Os promotores que atuaram na acusação de Bergdahl tentaram usar estes soldados feridos como testemunhas para reforçar o pedido de 14 anos de prisão que a Procuradoria Militar pedia para ele. Nas missões de busca, um soldado foi atingido na cabeça por uma granada  lançada por foguete. A granada não explodiu, mas o soldado ficou paraplégico e perdeu a fala.

Outro soldado, Jonathan Morita, foi ferido na perna e teve de passar por 18 cirurgias. Ouvido pela agnência Associated Press, Morita disse que a sentença era inaceitável. “A baixa desonrosa significa que ele vai receber todo tipo de serviço que eu, como portador de deficiência, vou receber. Ele vai pagar uma multa similar a de pesca ilegal. OK, whoop-de-doo”, disse Morita, por telefone, à AP.

Comentários de Trump

A decisão não agradou o presidente Donald Trump, que durante a última campanha eleitoral disse que Bergdahl deveria ser condenado à morte por ter abandonado seu posto em uma zona de guerra. “A decisão sobre o sargento Bergdahl é uma completa e total desonra para o nosso País e os nossos Militares”, escreveu Trump em um tuíte enviado do avião presidencial Air Force One em sua viagem à Ásia. Depois de conquistar a presidência, Trump garantiu que iria revisar o caso e chamou o sargento de um “traidor sujo e podre”.

Nos Estados Unidos, Presidentes são aconselhados a não se manifestar sobre casos de Justiça porque seus comentários podem ser usados por advogados de defesa para provar que o julgamento não foi justo – mais ainda quando o Estado é parte da acusação. O juiz do caso, Jeffery Nance havia dito na semana passada que os repetidos comentários de Trump sobre o caso poderiam “afetar” a sentença.

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