FBI/U.S Attorney's Office, District of Hawaii
FBI/U.S Attorney's Office, District of Hawaii

Sargento americano se declara culpado de apoiar o Estado Islâmico

Agentes do FBI se passaram por jihadistas e ganharam documentos sigilosos, drones e até treinamento do soldado, que acreditava estar lidando com integrantes do grupo terrorista

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 04h34

WASHINGTON - Um sargento de primeira classe do exército americano se declarou culpado nesta quarta-feira, 30, de apoiar o grupo terrorista Estado Islâmico (EI), segundo informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Ikaika Erik Kang, de 35 anos, declarou ser culpado nas quatro acusações movidas por providenciar documentos sigilosos e equipamentos ao EI. Ele foi acusado pelos crimes em junho do ano passado. Como parte do acordo de declaração de culpabilidade, Kang pode cumprir pena de 25 anos de prisão e pelo menos 20 anos em liberdade condicional.

"Kang jurou defender os EUA como membro do nosso Exército, mas traiu o país ao jurar lealdade ao EI e ao tentar fornecer apoio material a essa organização terrorista estrangeira. Com a declaração de hoje, ele será considerado responsável por seus crimes", indicou em comunicado o assistente de Segurança Nacional do Departamento de Justiça, John Demers.

A sentença do caso será decretada no dia 10 de dezembro pela juíza federal Susan Oki Mollway, do Havaí. Se a magistrada aceitar o acordo, determinará a pena já estipulada.

Este é o primeiro caso no Havaí no qual alguém é considerado culpado de tentar fornecer apoio material a uma organização terrorista, de acordo com Sean Kaul, agente especial do Departamento Federal de Investigações (FBI) responsável pelo escritório de Honolulu, capital do Estado. 

De acordo com os documentos apresentados no julgamento, Kang teria se simpatizado com o EI no início de 2016. Nesse período, ele assistiu a vários vídeos dos terroristas. Alguns deles eram de execuções violentas de civis e militares.

As autoridades locais e federais monitoraram os movimentos do sargento e bolaram uma estratégia para prendê-lo meses depois de descobrirem sua ligação com o jihadismo. Agentes secretos do FBI se passaram por jihadistas para atrair o militar, que acabou se reunindo com o grupo quando soube das conexões com o EI. Nos encontros, o sargento repassou documentos sigilosos com a intenção de que eles fossem repassados à organização terrorista.

O sargento também conseguiu arranjar um pequeno drone e roupas militares para os agentes que se passavam por seus cúmplices. Além disso, Kang treinou os agentes disfarçados em combates corpo a corpo e os ensinou a usar drones para rastrear movimentos de tropas americanas e obter vantagem tática nos conflitos.

Em julho de 2017, Kang gerou lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al Baghdadi, em cerimônia falsa comandada por um dos agentes disfarçados do FBI que posteriormente o prendeu. //EFE

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