Sargento Bergdahl enfrentava conflitos psicológicos

Em postagens no Facebook antes de desaparecer da base militar no Afeganistão, o sargento Bowe Bergdahl falava sobre a frustração com o mundo e o desejo de mudar o status quo. Bergdahl criticou comandantes militares e líderes do governo, e questionou se era função dos artistas, soldados ou generais parar a violência e mudar a cabeça das pessoas.

AE, Agência Estado

12 de junho de 2014 | 03h33

A Associated Press acessou a página na quarta-feira, mas logo depois ela foi suspensa por violar os termos do Facebook. A última postagem foi feita em 22 de maio de 2009, poucas semanas antes de ser capturado.

Bergdahl, o único soldado norte-americano a ser feito refém no Afeganistão, recentemente foi libertado após cinco anos como prisioneiro do Taleban. Em troca, os EUA liberaram cinco presos que estavam na Baía de Guantánamo, em Cuba.

As circunstâncias da troca geraram um debate nacional nos EUA, com alguns membros do Congresso acusando Bergdahl de ser um desertor e não valer o risco de libertar adeptos do Taleban. Alguns membros de seu pelotão também o acusaram de desertar o Exército.

Cerca de duas semanas depois da última postagem no Facebook, Bergdahl enviou um e-mail parcialmente codificado a Kim Harrison, uma amiga de longa data. Ela compartilhou o e-mail e outras informações com o Washington Post. Duas semanas depois deste e-mail, Bergdahl desapareceu e Harrison recebeu uma caixa com seus itens pessoais.

O diário de Bergdahl detalha sua luta para manter a estabilidade mental durante o treinamento básico e o envio ao Afeganistão. "Estou preocupado", escreveu um dia antes de embarcar. "Quanto mais perto eu chego do dia de embarcar, mais calmas as vozes ficam. Estou retrocedendo. Estou ficando mais frio. Meus sentimentos estão sendo lavados com a lógica gelada e o treinamento, todo o insensível julgamento frio da escuridão", escreveu.

Em outro trecho, Bergdahl escreveu: "eu não vou perder essa mente, esse mundo que eu tenho lá no fundo. Eu não vou perder essa paixão pela beleza".

Em entrevista ao Washington Post, Harrison disse que essa não foi a primeira vez que os amigos se preocuparam com seu estado mental. Em 2006, ele deixou a Guarda Costeira 26 dias depois de um treinamento básico por motivação psicológica, disse a amiga.

Quando se juntou ao Exército, em 2008, os militares estavam em guerra no Afeganistão e no Iraque. Fonte: Associated Press.

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