Sargento que denunciou tortura no Iraque é punido

O sargento do Exército americano que contou à mídia que práticas como a privação de sono e ameaças com cães eram técnicas de interrogatório comuns na prisão de Abu Ghraib - e não apenas a prática de um pequeno grupo, agindo sem autorização ou conhecimento dos superiores - foi punido e teve sua autorização de segurança revogada. O sargento Samuel Provance faz parte do 302º Batalhão de Inteligência Militar, unidade da 205ª Brigada, que foi implicada no escândalo de abusos de prisioneiros em Abu Ghraib. Provance, que diz nunca ter testemunhado abusos, mas que ouviu relatos feitos por interrogadores, havia sido avisado para não falar com ninguém sobre o assunto. Em vez disso, decidiu dar entrevistas. ?Eu queria ter certeza de que contaria tudo que pudesse antes que a ordem de silêncio viesse ainda mais de cima?, disse. Provance diz que, depois de sua denúncia, foi chamado perante seu comandante, que revogou-lhe a autorização de segurança para trabalhar em locais secretos e o ?marcou? administrativamente. Enquanto estiver ?marcado?, o sargento não poderá receber honras, prêmios ou promoção. Um oficial do Exército, falando sob condição de não ter seu nome revelado, confirmou em Washington que Provance perdeu sua autorização de segurança e enfrenta outras punições por discutir a investigação com a mídia.

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