AFP PHOTO / JOEL SAGET
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Sarkozy diz que acusações são rede de mentiras que fizeram da sua vida um 'inferno'

Segundo o jornal ‘Le Figaro’, ex-presidente francês alega ter sido acusado ‘sem nenhuma prova material’ pelas declarações de colaboradores do ex-ditador líbio Muamar Kadafi

O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 10h30

PARIS - O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy disse a juízes que as acusações de financiamento ilícito da Líbia para sua campanha eleitoral de 2007 são uma rede de mentiras que têm feito da sua vida um “inferno” e o fizeram perder a reeleição em 2012, relatou o jornal Le Figaro.

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"Desde 11 de março de 2011, vivo o inferno desta calúnia", declarou Sarkozy, que também denunciou a ausência de qualquer "prova material" nas acusações contra ele.

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O político de 63 anos, que governou a França de 2007 a 2012, foi informado por investigadores na quarta-feira, após dois dias de depoimentos sob custódia policial, que é formalmente suspeito de corrupção passiva, infração cuja pena é de até 10 anos de prisão.

Sarkozy alega ter sido acusado "sem nenhuma prova material" pelas declarações de colaboradores do ex-ditador líbio Muamar Kadafi, além das afirmações do intermediário franco-libanês Ziad Takieddine.

"Foi provado em múltiplas ocasiões que (Ziad Takieddine) teve dinheiro do Estado líbio", completou o ex-presidente francês. "Durante as 24 horas de minha custódia policial, tentei com toda minha força de convicção demonstrar que os indícios graves e concordantes que são a condição do indiciamento não existiam, levando em consideração a fragilidade do documento objeto da investigação judicial e levando em consideração as características altamente suspeitas e o passado muito carregado de Takieddine", insistiu ele.

Ele afirmou que Takieddine "mente" e o empresário, que faz parte do "grupo" de Kadafi, não apresentou provas das reuniões que diz ter mantido com ele entre 2005 e 2011.

Sarkozy foi detido na manhã de terça-feira e interrogado durante 26 horas, com apenas uma pausa para dormir em sua casa. / AFP, REUTERS e EFE

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