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Sarkozy afirma que se for eleito mudará Constituição da França para proibir uso do ‘burkini’

Na semana passada, tribunal francês havia suspendido uma proibição ao traje sob o argumento de que ele viola as liberdades fundamentais

O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2016 | 11h44

PARIS - O ex-presidente francês Nicholas Sarkozy disse nesta segunda-feira, 29, que mudará a Constituição do país para proibir o traje de banho de corpo inteiro conhecido como “burkini”, usado por mulheres islâmicas, se for eleito na eleição presidencial de abril de 2017.

Posicionando-se como um defensor dos valores da França e rígido com relação à imigração, o candidato conservador disse na semana passada que imporia uma proibição de âmbito nacional ao burkini, depois que a vestimenta dividiu o governo liderado pelos socialistas e dominou o debate político francês durante a maior parte do mês de agosto.

Na sexta-feira, o principal tribunal administrativo da França havia suspendido uma proibição ao traje que havia sido adotada em uma dezena de cidades costeiras sob o argumento de que ele viola as liberdades fundamentais.

A proibição ao uso do burkini expôs as dificuldades da França secular com a tolerância religiosa na esteira dos ataques de militantes islâmicos nos últimos meses. Imagens de policiais armados aparentemente obrigando uma mulher em uma praia de Nice a se despir parcialmente para cumprir a determinação aumentaram a polêmica.

As proibições vinham sendo justificadas como questões de ordem pública, e o primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, pareceu defender as autoridades municipais que as impuseram. Depois que a Corte as descartou, porém, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, disse que uma lei contra a vestimenta seria considerada inconstitucional.

Indagado sobre esse risco, Sarkozy respondeu: "Bem, então mudamos a Constituição. Nós já a mudamos trinta e tantas vezes, não tem problema".

Segundo pesquisas de intenção de voto, Sarkozy tem lidado com a dificuldade de se aproximar do rival Alain Juppé, um ex-premiê de modos suaves e mais centrista, antes das eleições primárias do partido Republicanos no final de novembro.

Cazeneuve, que iria se encontrar com líderes muçulmanos franceses nesta segunda-feira para apaziguar as tensões religiosas, disse que indicará o político veterano Jean-Pierre Chevènement para presidir um organismo independente encarregado de tratar das relações entre o Estado e os representantes religiosos muçulmanos. / Reuters

Veja abaixo: A polêmica do burkini

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