Sarkozy anuncia medidas de emprego antes da eleição

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta quarta-feira um pacote de ? 430 milhões (US$ 550 milhões) para reduzir o desemprego no país, uma medida criticada como oportunismo eleitoral pela oposição, uma vez que foi tomada apenas três meses antes das eleições presidenciais. Com a taxa de desemprego alcançando 10% da força de trabalho e o recente rebaixamento da nota de crédito da França pela agência de classificação de risco Standard & Poor''s, o candidato socialista François Hollande desfere duras críticas a Sarkozy, ao dizer que a crise financeira reflete a estratégia econômica fracassada do mandatário.

AE, Agência Estado

18 de janeiro de 2012 | 15h06

Sarkozy, que está em segundo lugar e atrás de Hollande nas pesquisas de intenção de voto, rebate as críticas ao dizer que a crise é europeia e não apenas francesa. Mas ao anunciar hoje o pacote contra o desemprego, disse que os franceses que sofrem com o problema precisam de socorro imediato. Para essa finalidade, ele se reuniu mais cedo com empresários e sindicalistas para montar o pacote. Ainda não está claro se ele conseguirá lançar o plano antes das eleições, que terá primeiro turno em abril e segundo turno em maio.

"A atual situação econômica tanto na França como na Europa é muito perigosa. É urgente", afirmou Sarkozy, em um comunicado divulgado por seu escritório. "Apesar do calendário político, a crise e o desemprego, somados ao sofrimento dos nossos compatriotas, não nos dão o direito de ficarmos imobilizados". O pacote inclui incentivos para as empresas contratarem jovens e treinamento profissional para desempregados.

Logo após a reunião, o secretário-geral da central sindical Confederação Geral do Trabalho (CGT), Bernard Thibault, disse que não acredita que as medidas anunciadas "terão um impacto verdadeiro na atual situação de emprego".

Sarkozy disse que os custos trabalhistas na França subiram 20% entre 200 e 2009, em comparação a 7% na Alemanha no mesmo período. Ele disse que o custos relativo para as empresas por um trabalhador que ganha um salário bruto mensal de ? 2.500 (US$ 3.200) é o dobro na França em comparação à Alemanha. A aposta de Sarkozy é que ao reduzir esses custos, ele espalhará uma onda de contratações. Mas os sindicatos franceses dizem que os trabalhadores não devem pagar o preço pela crise financeira, no momento em que muitas empresas francesas ainda têm lucro. Eles acusam Sarkozy de tomar medidas populistas perto das eleições.

As informações são da Associated Press.

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