Sarkozy assume presidência da UE pedindo ''mudança profunda''

Líder francês quer superar crise causada pelo ?não? ao Tratado de Lisboa

AP, AFP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 00h00

Na véspera de assumir a presidência da União Européia (UE), o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu ontem uma "mudança profunda" na maneira com a qual a Europa está sendo construída. Durante entrevista na emissora de TV France 3, Sarkozy também delineou suas prioridades para os seis meses nos quais vai liderar o bloco. "Temos de refletir sobre como se pode fazer da Europa um meio para proteger os europeus em suas vidas cotidianas", afirmou o presidente, que alertou para o risco de a UE alienar os europeus se deixar de cuidar de suas preocupações diárias. "O ideal europeu estará em perigo se não protegermos nossos cidadãos."Uma das prioridades da presidência de Sarkozy na UE é tentar resolver a crise provocada pela rejeição do Tratado de Lisboa por 53,4% dos irlandeses no dia 13. O tratado substituiu a proposta de Constituição européia, rejeitada em referendo por França e Holanda, em 2005. Entre os principais pontos do documento estão a criação do cargo de presidente do bloco, com mandato de dois anos, e o fortalecimento da figura do responsável pela política externa. O tratado só poderá tornar-se efetivo em 2009 se for ratificado pelos 27 membros da UE. Analistas, porém, questionam a capacidade de Sarkozy de obter consenso no bloco. Num sinal da dificuldade da tarefa, o presidente polonês, Lech Kaczynski, afirmou ao jornal Dziennik que não assinará o Tratado de Lisboa. Ele disse que "não faz sentido" firmar o documento após sua rejeição pelos irlandeses.Temas como imigração, meio ambiente, crise petrolífera e defesa foram outras prioridades mencionadas por Sarkozy durante a entrevista. "Temos de chegar a um acordo de uma política que proteja a todos. Esse é o sentido do pacto europeu para a imigração", disse Sarkozy. "Se aceitarmos todo mundo, explodiremos o pacto social europeu." No entanto, o presidente admitiu que um pacto comum de imigração que agrade a todos os integrantes do bloco não é fácil.Uma das principais reclamações do presidente francês é a supervalorização do euro - que, segundo ele, prejudica a competitividade econômica dos países europeus. O Banco Central Europeu deve aumentar as taxas de juro sobre a moeda esta semana, o que poderia deixar o euro ainda mais valorizado do que o dólar. Sarkozy afirma que, com o aumento das taxas, empréstimos e investimentos poderiam ser prejudicados. O presidente disse que a organização deveria pensar em crescimento econômico e não apenas em inflação - que ele atribuiu à alta do petróleo. Sarkozy afirmou que dobrar ou triplicar as taxas de juro não ajudaria a reduzir o preço do combustível.O presidente francês voltou a defender sua proposta de limitar o Imposto sobre Valor Agregado dos produtos petrolíferos.

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