Sarkozy critica de debate entre Ségoléne e Bayrou

O debate realizado neste sábado, 28, entre a candidata socialista à Presidência francesa, Ségolène Royal, e o ex-aspirante centrista François Bayrou é "contrário ao espírito dasinstituições", segundo afirmou o candidato conservador Nicolas Sarkozy. "Este debate representou, no meu julgamento, o auge do que a IV República tinha de mais caricatural", afirma Sarkozy em entrevista que será publicada na edição de amanhã do jornal Le Journal du Dimanche. Sarkozy ficou em primeiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais francesas, realizado no último domingo, logo à frente de Royal. Ambos disputarão o segundo turno no dia 6. Bayrou, terceiro colocado, foi eliminado da corrida ao Palácio do Eliseu, mas com a força dos 18,57% de votos obtidos (quase setemilhões de eleitores) se tornou fundamental para o resultado de 6 de maio, e continuou em destaque, com a ajuda de Royal, que tenta conquistar seu eleitorado. É a primeira vez que um finalista da corrida presidencial debate pela televisão com um candidato que não passou do primeiro turno. "O primeiro turno existe para selecionar dois candidatos e para que se apresentem dois projetos aos franceses", disse Sarkozy ao jornal. O conservador denunciou "a confusão" criada pelo debate entre Royal e Bayrou, e afirmou que os franceses "não devem se deixar influenciar". O candidato conservador foi acusado por ambos de ter exercido "pressão" sobre a mídia para que a conversa não fosse transmitida. "A mentira, o insulto e a difamação não deveriam ser elementos do debate democrático", disse Sarkozy, ao rejeitar as acusações, que considerou "insultantes para os jornalistas e degradantes para seus autores". Além de criticar Bayrou, que "não se parece" com o homem que conhece "há vinte anos", o candidato da conservadora União por um Movimento Popular (UMP) disse não entender a atitude de Royal. "Na véspera do primeiro turno, Royal considerava Bayrou pior queSarkozy. No domingo, ela lembra que sua maioria está com a extrema esquerda. Na segunda-feira, aparece de mãos dadas com o centro", criticou o candidato. Sobre o debate televisionado que os dois realizarão naquarta-feira, Sarkozy disse que "a política não é a guerra", e que não tratará Royal de forma diferente por sua condição feminina. "É uma mulher, mas, sobretudo, uma candidata ao mais alto posto do país", afirmou. Uma pesquisa do instituto Ifop para o Le Journal du Dimanche aponta Sarkozy como favorito ao segundo turno, com 52,5% das intenções de votos. Os números mostram, no entanto, uma redução de 1,5 ponto nos últimos cinco dias.

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