Sarkozy defende pacto nuclear

Presidente francês diz que países árabes têm direito a desenvolver energia atômica pacífica

AP, AFP e Reuters, Dacar, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2027 | 00h00

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegou ontem ao Senegal, um dia após uma visita histórica à Líbia - onde assinou um tratado de cooperação nuclear com o ditador líbio, Muamar Kadafi. Pouco antes de deixar Trípoli, Sarkozy defendeu o acordo, advertindo que o Ocidente deve permitir que países árabes desenvolvam tecnologia nuclear pacífica, caso contrário, o mundo pode enfrentar um guerra de civilizações. "A energia nuclear é a energia do futuro. Se não dermos essa energia para os países do sul do Mediterrâneo, como eles se desenvolverão? E se eles não se desenvolverem, como vamos lutar contra o terrorismo e o fanatismo?", disse Sarkozy, em entrevista coletiva em Trípoli. No acordo assinado na quarta-feira, França e Líbia comprometeram-se a cooperar na construção de um reator nuclear que irá dessalinizar água do mar para abastecer a população líbia.Apesar da preocupação da comunidade internacional com a proliferação de programas nucleares, como o do Irã, o acordo assinado na Líbia foi considerado normal pelo especialista Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres. "Não vejo perigo de proliferação, uma vez que a Líbia vem cooperando de maneira exemplar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU e com os governos britânico e americano", afirmou o analista. Em 2003, Kadafi aceitou desmantelar seus programa de desenvolvimento de armas de destruição em massa, após negociações com os EUA e a Grã-Bretanha. "É importante que o resto do mundo veja que, quando um país abandona seus programas de armas de destruição em massa consegue vantagens tangíveis", ressaltou Fitzpatrick.A Alemanha foi o único país até agora que contestou o acordo. Em entrevista ao jornal Handelsblatt, o secretário de Estado alemão, Gernot Erler, afirmou que o tratado afetará os interesses de segurança da Europa. "Politicamente, esse assunto é problemático", disse Elrer, que ressaltou que seu governo pretende discutir o caso com Paris.Em sua visita ao Senegal, parte de um giro por quatro países africanos, o presidente francês deve assinar hoje acordos de promoção de investimentos. O Senegal é a nação africana que mais recebe ajuda de Paris. Sarkozy desfilou em carro aberto em Dacar ao lado do presidente senegalês, Abdoulaye Wade. Hoje, porém, Sarkozy se reunirá com membros da oposição, que acusam o governo de ter fraudado as eleições presidenciais de fevereiro. Além do Senegal, o presidente francês visitará ainda o Gabão - onde se reunirá com presidente Omar Bongo, o líder africano há mais tempo no poder, desde 1967 - e a República Democrática do Congo. Com o giro, Sarkozy mostra que o desenvolvimento da África deve ser uma prioridade de seu governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.