Stefan Rousseau/Efe
Stefan Rousseau/Efe

Sarkozy diz a Obama que Bibi é 'mentiroso'

Comentário de líderes sobre premiê de Israel vaza por microfone durante o G-20

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2011 | 03h07

PARIS - Microfones abertos durante um encontro privado entre os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e dos EUA, Barack Obama, durante o G-20 de Cannes revelaram o desprezo das duas autoridades pelo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu. No diálogo, o chefe de Estado francês chama o israelense de "mentiroso", enquanto Obama se mostra incomodado por ter de lidar com o premiê.

A conversa vazou durante um dos encontros bilaterais entre Sarkozy e Obama no balneário de Cannes, na quinta-feira. O diálogo privado, realizado fora do alcance de diplomatas, foi no entanto presenciado por alguns jornalistas e registrado por microfones abertos durante a reunião. Nela, o presidente americano lamentava ao seu interlocutor o voto da França em favor da adesão da Palestina à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na semana passada. A Casa Branca era contrária à decisão, que acabou aprovada pelo plenário.

A sequência do diálogo caminha para Netanyahu, até que Sarkozy desabafa: "Eu não aguento mais nem vê-lo. É um mentiroso!", afirma. Obama então respondeu: "Você pode estar cansado, mas eu devo tratar com ele todos os dias". O presidente americano pediu então ajuda para convencer a Autoridade Palestina a desistir de seu pedido de adesão à ONU, tema que causa divergências diplomáticas entre os dois países.

O vazamento do diálogo ocorreu porque o sistema de tradução interna do G-20 estava operando instantes antes da entrevista coletiva começar, no momento em que Sarkozy e Obama comentavam sobre as negociações que envolvem o processo de paz entre Israel e palestinos. Percebendo a falha técnica, alguns jornalistas puseram os fones de ouvido, recebendo o diálogo. Apesar da confirmação por múltiplas fontes, ontem, nem o Ministério das Relações Exteriores da França nem o Departamento de Estado dos EUA aceitaram os pedidos para comentar o diálogo. "Eu não tenho nenhum comentário a fazer sobre essa suposta conversa que teria acontecido num encontro bilateral", afirmou Jay Carney, porta-voz da Casa Branca.

Bernard Valéro, porta-voz da chancelaria francesa, solicitou que os pedidos de esclarecimentos fossem feitos diretamente ao Palácio do Eliseu. "Eu estou por dentro do zum-zum-zum. Mas é preciso ver o que é realidade nisso. Eu não tenho a menor ideia e não quero falar sobre isso", argumentou.

O tema não foi divulgado antes porque a maioria dos jornalistas dos três países envolvidos havia decidido não divulgar informações a respeito do diálogo.

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