Sarkozy diz que Muamar Kadafi deve deixar o poder

Presidente francês também elogiou proposta russa de atuar como mediador na crise

Agência Estado e Efe

27 de maio de 2011 | 12h30

PARIS - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, elogiou , a proposta russa de atuar como um mediador na Líbia, onde uma coalizão internacional tenta depor o governante Muamar Kadafi. Sarkozy insistiu, porém, que qualquer negociação deve incluir a saída de Kadafi do poder no país do norte africano.

 

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"Rússia não bombardeou a Líbia, não retirou sua embaixada, por isso poderia exercer o papel de mediador", afirmou Mikhail Margelov, representante especial do Kremlin para a África e o Oriente Médio, citado pelas agências russas.

 

 

O diplomata ressaltou na cúpula do Grupo dos Oito (G8) na cidade francesa de Deauville que a única forma de encontrar "uma saída para a atual situação" no país árabe é através de "um acordo político".

 

Ao mesmo tempo, considera muito difícil encaminhar negociações com o ditador líbio, quem se autoproclama "messias de Deus", apontou.

 

"É preciso falar com as pessoas de seu entorno. Possivelmente, seus filhos. Esses contatos já ocorrem", disse Margelov, que mencionou ao Catar e à Arábia Saudita entre os países onde poderia exilar-se Kadafi após deixar o poder.

 

Segundo informou nesta sexta-feira o Kremlin, os líderes do Grupo dos Oito (G8, que reúne as maiores potências mundiais) pediram na véspera ao presidente russo, Dmitri Medvedev, a mediar para encontrar uma regra ao conflito armado na Líbia.

Nes sexta-feira, 27, a Rússia esteve entre os signatários da declaração do G-8, segundo a qual Kadafi havia perdido legitimidade e não tinha futuro em uma Líbia livre e democrática. "Ele deve partir", afirma o comunicado conjunto dos países do G-8. Sarkozy destacou que é possível discutir apenas em que termos Kadafi deve deixar o poder. O presidente francês falou em Deauville, cidade francesa que sediou o encontro do G-8.

Sarkozy disse ter sido convidado pelo Conselho de Transição Nacional, principal grupo oposicionista líbio, para visitar a cidade portuária de Benghazi, sede da oposição. O líder francês afirmou que pretendia ir, mas prefere visitar o local junto com o primeiro-ministro britânico, David Cameron. "Seria inapropriado fazer isso separadamente", afirmou Sarkozy, acrescentando que nenhuma data foi marcada.

Em março, o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou o uso da força contra o regime líbio para a proteção de civis. Desde então, a França e o Reino Unido têm liderado os ataques aéreos na Líbia, realizados principalmente pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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