Sarkozy diz que Mugabe deve deixar o poder no Zimbábue

Presidente francês afirma que o presidente zimbabuano transformou o povo do país africano em reféns

Agências internacionais,

08 de dezembro de 2008 | 12h12

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou nesta segunda-feira, 8, que o líder zimbabuano Robert Mugabe deve deixar o poder. Com isso, ele se soma a uma série de outros líderes ocidentais que pressionam pela saída de Mugabe. Ao fazer o comentário, durante discurso para marcar o 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o mandatário francês dirigiu palavras duras ao presidente do Zimbábue: "Você transformou seu povo em refém". Veja também:Zimbábue, o suicídio de um país em cólera Antes um dos mais prósperos países africanos, o Zimbábue tem uma hiperinflação de quase 1 trilhão por cento ao ano e seu Estado é incapaz de fornecer serviços básicos. O país ainda enfrenta uma epidemia de cólera que já matou mais de 570 e infectou outras 12 mil, vista como mais uma prova da incapacidade do Estado em exercer suas funções.  Sarkozy acumula atualmente a presidência de turno da União Européia (UE). Atualmente, os chanceleres da UE preparam medidas com o objetivo de ampliar as sanções do bloco ao Zimbábue, numa iniciativa com o objetivo de forçar a renúncia da Mugabe. A UE vinha exigindo que Mugabe implementasse um acordo de partilha de poder com a oposição, que venceu por estreita margem as eleições parlamentares realizadas em março no país africano.  O Zimbábue enfrenta no momento uma epidemia de cólera em meio ao colapso de sua economia e de seu sistema de saúde. "O presidente Mugabe deve partir. O Zimbábue sofreu o suficiente", disse Sarkozy a um grupo de personalidades, incluindo o ex-presidente americano Jimmy Carter. Sarkozy reivindicou "liberdade, segurança e respeito" para o Zimbábue. O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, disse nesta segunda-feira, 8, que chegou "o momento" de fazer "pressão máxima" para forçar a renúncia do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. Nos últimos dias, vários países, como o Reino Unido, os Estados Unidos e o Quênia, chamaram aos países africanos a agir para forçar uma mudança de governo no Zimbábue, diante da catástrofe humanitária no país. O ministro de Exteriores da França - país que este semestre preside a UE -, Bernard Kouchner, disse que existe "uma urgência sanitária" e que "é preciso uma intervenção internacional, não militar, mas uma intervenção". Na mesma linha, o ministro de Exteriores luxemburguês, Jean Asselborn, considerou que "chegou o momento de dizer que a situação é insuportável". O ministro de Exteriores finlandês, Alexander Stubb, não descartou que a UE acrescente novas sanções contra o regime de Mugabe, e disse que estas "sempre são uma possibilidade". O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, defendeu no domingo uma intervenção estrangeira no Zimbábue e o julgamento do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, por crimes contra a humanidade. Com a elevação do tom das declarações, Odinga junta-se a outros líderes internacionais - como a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, o arcebispo sul-africano e Nobel da Paz Desmond Tutu e o premiê britânico, Gordon Brown - que na última semana intensificaram as pressões para que Mugabe, no poder há 28 anos, deixe definitivamente a presidência. "Se a União Africana não tiver tropas disponíveis, ela deve autorizar imediatamente a ONU a enviar forças ao Zimbábue para controlar o território e garantir assistência às pessoas que estão morrendo de cólera", afirmou Odinga, em referência à epidemia. O premiê, porém, evitou responder se enviaria tropas de seu país.  Alimentos básicos estão acabando, e uma epidemia de cólera já matou pelo menos 575 pessoas, além de infectar milhares e se espalhar por África do Sul, Moçambique, Botsuana e Zâmbia. Os preços duplicam a cada 24 horas, e o limite para saques de 100 milhões de dólares zimbabuanos por dia só é suficiente para comprar três pães no país, que já foi relativamente próspero. A possibilidade de uma solução para o Zimbábue tem diminuído com o impasse entre Mugabe e o opositor Morgan Tsvangirai sobre a construção de um governo compartilhado, algo que havia sido acordado em setembro após eleições amplamente condenadas. O sistema de saúde é incapaz de lidar com a epidemia de cólera. O sistema de água entrou em colapso, forçando as pessoas a beber água de poços e fontes contaminadas. O Zimbábue acusa a ex-metrópole Grã-Bretanha de usar a crise e a epidemia de cólera para angariar apoio no Ocidente a uma invasão ao país.

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