Sarkozy é acusado de uso da máquina pública em campanha

Ex-presidente da França, investigado por suspeita de caixa 2 na corrida eleitoral de 2007, terá de explicar contas de 2012

PARIS, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h02

Envolvido em um escândalo de financiamento clandestino de sua campanha eleitoral de 2007, o ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, terá de responder também pelas eleições de 2012, da qual saiu derrotado. A revista L'Express revelou ontem que o Tribunal de Contas recusou o relatório contábil da União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-chefe de Estado, por ter ultrapassado o limite de gastos estabelecido pela legislação.

O tribunal considerou que parte dos deslocamentos efetuados pelo presidente eram, na verdade, campanha política e no entendimento da corte deveriam ter sido pagos pelo partido.

É a primeira vez na história democrática da França que um presidente é flagrado por uso da máquina pública em campanha eleitoral. Tesoureiro da campanha de 2012, o deputado Philippe Briand criticou o julgamento. "Não posso aceitar esta análise, salvo se considerar que um presidente em exercício deve cessar toda a atividade no ano que precede a eleição", argumentou.

Afundada em dívidas e em disputas internas, a UMP pode perder entre € 10 milhões e € 11 milhões em recursos do fundo público partidário, deixando ainda mais espaço para o crescimento do Partido Socialista (PS), de François Hollande, hoje no poder. Mas o maior problema de Sarkozy continua sendo a campanha de 2007, investigada pelo Ministério Público por suspeitas de caixa dois. / A.N.

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