Sarkozy e Barroso batem-boca sobre expulsão de ciganos na França

França aceita investigações sobre deportações; comissária de Justiça é censurada por líderes

Agência Estado

16 de setembro de 2010 | 13h31

BRUXELAS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, teve uma discussão "dura" com o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, nesta quinta-feira, 16, segundo o primeiro-ministro da Bulgária, Boyko Borisov, a respeito da política francesa de expulsão de ciganos. Além disso, o chefe do governo da Espanha, José Luiz Zapatero, criticou a comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, por suas declarações ofensivas contra a França.

 

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O governo francês tem demonstrado descontentamento por causa das críticas feitas pela União Europeia contra a política francesa de expulsar ciganos do país. Borisov disse que Sarkozy se envolveu em um "bate-boca" com Barroso durante o almoço, em Bruxelas. Mais cedo nesta semana, a Comissão Europeia respaldou críticas anteriores à política de Paris para os ciganos.

 

"Sim, houve um confronto", disse uma fonte da UE, segundo a qual Barroso "defendeu vigorosamente" o papel da comissão, que tem entre suas atribuições garantir a aplicação das leis do bloco sobre liberdade de movimento para todos os cidadãos dos países-membros. A fonte disse que Barroso afirmou a Sarkozy que a comissão "não se permitirá ser desviada de seu trabalho".

 

Uma alta fonte diplomática disse mais cedo que Sarkozy, que deve assumir a liderança do G-20 em novembro, rapidamente passou a tratar do assunto, que dominou um encontro dos líderes da UE em que a pauta original incluía relações exteriores, comércio e economia.

 

Filho de um imigrante húngaro, Sarkozy disse aos colegas que "a Comissão feriu a França", referindo-se à ameaça da Comissão Europeia de acionar Paris no Tribunal de Justiça da União Europeia. Barroso respaldou declarações anteriores da comissária de Viviane Reding criticando Paris pela deportação de ciganos para Bulgária e Romênia, também membros da UE. Segundo Viviane, essa atuação francesa lembrava as deportações ocorridas na Segunda Guerra.

 

Borisov disse que a questão do tratamento dos ciganos, pela qual Sarkozy recebeu apoio público do premiê italiano, Silvio Berlusconi, deve ser tratada "em um encontro subsequente" dos líderes da UE. Segundo o búlgaro, a intenção é chegar a "uma estratégia de longo prazo" para lidar com as populações nômades.

 

No encontro de líderes da União Europeia em Bruxelas, Zapatero atacou Viviane por suas duras críticas à França e a alertou a "conter sua força declarativa". "Há coisas que não cabe ao comissários europeus comentar. Espero que isso não volte a acontecer e que Viviane contenha sua força declarativa", disse o espanhol.

 

Viviane disse na terça que a França atual se parece com o mesmo país na época da Segunda Guerra, quando também houve deportações em massa. Zapatero afirmou que todos os 27 representantes de Estado da União Europeia concordaram que as palavras de Reding foram "inapropriadas e declaradas fora de hora".

 

As autoridades francesas dizem que a deportação dos ciganos é voluntária e rebatem as críticas dos órgãos internacionais e da oposição dizendo que o processo ocorre dentro das leis europeias e francesas.

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