Sarkozy e Brown defendem mudança no Conselho de Segurança da ONU

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse na sexta-feira que seu país e a Grã-Bretanha vão pressionar no próximo mês por uma reforma temporária do Conselho de Segurança. Sarkozy disse que a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em fevereiro, deve estudar a questão. O caso da reforma do órgão máximo de segurança mundial, cuja composição reflete em grande medida o equilíbrio de poder global logo após a 2o Guerra Mundial, está parado há muito tempo. "Juntamente com o Reino Unido, a França vai pedir uma solução interina que, a meu ver, é a única capaz de desbloquear esta questão, que não apenas não vem avançando, mas vem retrocedendo", disse Sarkozy em discurso a diplomatas estrangeiros. Atualmente o Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes: Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China. Sarkozy disse que os membros permanentes do conselho devem incluir um Estado africano, um latino-americano e a Índia, acrescentando que a participação da Alemanha e do Japão poderia ser discutida, e que uma reforma temporária possibilitaria que fossem testadas diferentes opções. "Não me parece muito razoável que não haja um único país árabe que seja membro permanente deste organismo", disse Sarkozy, que teve um jantar reservado com o premiê britânico Gordon Brown em Paris na quarta-feira. Sarkozy também reiterou seu chamado para que o Grupo dos Oito países industrializados (G8) seja ampliado para incluir países emergentes como China e Índia. Num discurso que cobriu vários tópicos, Sarkozy falou de vários temas delicados, mas manteve um tom incomumente diplomático. Ele disse que é do interesse do mundo regulamentar o preço de commodities, incluindo o petróleo, e que os países ricos devem trabalhar para garantir preços "aceitáveis" aos produtores. "Aproveitemos o momento atual para estender uma mão aos países produtores de petróleo, enquanto o barril de Brent é vendido a 45 dólares, para lhes dizer que nós, países desenvolvidos, concordamos em discutir com eles, os países produtores, como lhes garantir um nível médio aceitável de preços do petróleo", disse Sarkozy. Desde o pico do ano passado, quando estava a 147 dólares o barril, o preço do barril de óleo cru leve americano caiu para menos de um quarto desse valor. Sarkozy também pediu que sejam repensadas as negociações comerciais globais da Organização Mundial do Comércio, que estão paradas mais uma vez, na espera da chegada da nova administração americana.

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