Sarkozy é chamado de ´perigoso´ e ´manipulador´ da mídia

Em sua longa corrida pela presidência da França, Nicolas Sarkozy usou de todos os meios que pode para conseguir o que quis. Um colega de ministério do candidato conservador afirmou que foi agredido por Sarkozy durante uma discussão.A dez dias do segundo turno das eleições francesas, a rival de Sarkozy - a socialista Ségolène Royal - faz das duras críticas sua maior força de campanha. Ela qualificou o conservador de "perigoso" e "inconstante", depois de acusá-lo, nesta sexta-feira, 27, de manipular os meios de comunicação.Em suma, a eleição do próximo dia 6 de maio poderia ser mais um pleito sobre a personalidade de Sarkozy do que sobre sua plataforma de reforma econômica e leis de segurança.Se Ségolène espera ser a primeira mulher na presidência francesa, ela precisará enfraquecer o adversário: Sarkozy a superou em 5% no número de votos no primeiro turno e as pesquisas ainda o mantêm na frente, com vantagem de seis pontos porcentuais nas intenções de votos.Sarkozy alcançou 57% das intenções de votos ante 47% de Ségolène em uma pesquisa realizada com 1.219 pessoas. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.DebateO desempate da eleição está nas mãos dos eleitores de François Bayrou, o candidato centrista que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com cerca de 18% dos votos.Com campanha marcada até a próxima sexta, os dois candidatos estão tentando conquistar os simpatizantes de Bayrou: Sarkozy, buscando uma imagem menos rígida; Ségolène, por meio de um debate no qual ela pretende mostrar que suas propostas estão próximas às do candidato centrista.Em vez de ser uma coisa simples, o debate se tornou uma briga quando a rede Canal Plus cancelou o programa que exibiria. Imediatamente, Sarkozy - que tem amigos em empresas de comunicação - se tornou o culpado.O conselheiro de Ségolène, o ex-ministro Jack Lang, acredita que a equipe de Sarkozy "sabotou a organização e preparação" do debate na Canal Plus.Sarkozy "está tentando controlar tudo com suas importantes ligações com a mídia e com os setores empresariais", afirmou Ségolène. A emissora negou as acusações da candidata socialista. "As regras do CSA impõem uma estrita igualdade de repartição do tempo de palavra entre os candidatos à eleição presidencial" e, por isso, o Canal Plus explicou em comunicado que "não está em condições de produzir o debate" entre Ségolène e Bayrou."É mais do que um insulto afirmar que os jornalistas poderiam obedecer a esse tipo de ordem", rebateu Sarkozy.CríticasContudo, esta não é a primeira vez que o candidato conservador enfrentou acusações de indução da imprensa.O ex-editor-executivo da Paris Match Alain Genestar foi demitido, em 2005, depois que a revista publicou fotos da esposa de Sarkozy com outro homem na capital francesa. Genestar acredita que o político esteve envolvido com sua demissão, mas Sarkozy negou qualquer relação.As pesquisas colocam o candidato na liderança desde o início do ano, embora Sarkozy seja uma figura que divide opiniões. Muitos eleitores o descrevem como "assustador", principalmente pela linguagem que usa em seus discursos - em um caso famoso, ele chamou delinqüentes de "lixo".O ministro Azouz Begag afirma, em um livro publicado neste mês, que Sarkozy o ofendeu verbalmente e ameaçou bater nele durante uma discussão sobre leis de imigração. O político se defendeu dizendo que Begag estava mentindo.Matéria ampliada às 12h15 para acréscimo de informações

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