Eric Gailard/Reuters
Eric Gailard/Reuters

Sarkozy é denunciado por financiamento ilegal de campanha na França

Em resposta, seus assessores denunciaram a 'manipulação' do processo, que não deve chegar ao fim até o primeiro turno da eleição, marcado para abril

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2016 | 20h48

O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, atual pré-candidato à presidência pelo partido Republicanos foi denunciado nesta segunda-feira, 5, pelo Ministério Público de Paris por financiamento ilegal de campanha eleitoral em 2012. O caso é um dos dois que o ex-chefe de Estado responde à Justiça, um escândalo que vem abalando a sua imagem. 

Em resposta, seus assessores denunciaram a “manipulação” do processo, que não deve chegar ao fim até o primeiro turno da eleição, marcado para abril. O parecer do MP foi entregue à Justiça no dia 30, mas somente veio a público hoje. 

Segundo os promotores, Sarkozy deve ser julgado por “crime de financiamento ilegal de campanha eleitoral”, que teria sido caracterizado nas investigações por três evidências: a de que seu partido “ultrapassou o limite de despesas eleitorais”, “omitiu-se de respeitar as formalidades de criação da conta de campanha” e “registrou, nas contas de campanha ou em seus anexos, elementos contábeis minorados”. 

Ainda de acordo com as investigações, a campanha de seu partido, então chamado União por um Movimento Popular (UMP), ultrapassou em € 23,5 milhões os gastos – em um primeiro momento, o Conselho Constitucional, a mais alta corte do país, havia sido constatado um excesso de € 466,1 mil.

A fraude é chamada na França de “Caso Bygmalion”, em função da agência de propaganda e estratégia contratada pela UMP, e teria acobertado o excesso de gastos emitindo notas frias pelos serviços prestados. 

Além de Sarkozy, o MP denunciou 13 outras pessoas, entre membros do partido e da agência, mas o nome do ex-presidente aparece na peça de acusação, obtida pelo jornal Le Monde, como sendo o responsável pela campanha eleitoral de 2012. 

As fraudes verificadas pelo Ministério Público aconteceram na campanha que resultou na derrota de Sarkozy para seu rival político, François Hollande, líder do Partido Socialista (PS) e atual presidente. Em 2017, o duelo pode se repetir, já que Sarkozy concorre com o ex-primeiro-ministro Alain Juppé pela designação de candidato do partido Republicanos – ex-UMP. 

A defesa do ex-presidente apoiou-se no calendário eleitoral para criticar a denúncia do MP, instituição à qual acusa de perseguir Sarkozy. “Desdenhando todas as regras do direito, o MP de Paris pediu o envio do presidente Nicolas Sarkozy a julgamento por fatos pelos quais não foi nem investigado”, sustentou o advogado Thierry Herzog, que atribuiu a acusação ao clima de eleições. 

 

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