Reprodução/AFP
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Sarkozy e Hollande trocam farpas em debate na TV

Socialista foi chamado de 'incompentente', e disse que Sarkozy é 'presidente fracassado'

Reuters,

02 Maio 2012 | 19h06

PARIS - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e seu rival socialista François Hollande duelaram na quarta-feira, 2, no único debate televisivo prévio ao segundo turno da eleição presidencial, que era visto como a última chance para que Sarkozy revertesse o prognóstico de derrota no próximo domingo, 6.

Hollande, que tem uma vantagem de 6 a 10 pontos percentuais nas pesquisas, começou o debate num tom confiante e relaxado, prometendo ser "o presidente da justiça", "o presidente da retomada" e "o presidente da unidade".

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Ele disse que Sarkozy divide o povo francês e usa a crise econômica global como desculpa para ter descumprido as promessas que levaram à sua primeira eleição, cinco anos atrás. "Com o senhor é muito simples: nunca é sua culpa", disse ele.

O presidente conservador acusou repetidamente o seu adversário de mentir sobre cifras econômicas, e recitou inúmeras estatísticas para tentar desequilibrar o socialista.

"É muito legal falar em unir as pessoas, mas isso precisa ser posto em prática", disse o presidente. "O exemplo que eu quero seguir é o da Alemanha, e não da Espanha e Grécia", acrescentou, citando dois países em grave crise econômica na zona do euro.

O duelo foi transmitido ao vivo por canais que atingem praticamente metade dos 44,5 milhões de eleitores.

O debate culminou vários meses de ataques mútuos, nos quais Sarkozy chamava o socialista de incompetente e mentiroso, e Hollande acusava o rival de ser um "presidente fracassado".

Sarkozy vinha apostando todas as suas fichas nesse evento para virar o favoritismo a seu favor. "Não é uma disputa de palavras, é uma hora da verdade", disse ele nesta semana a jornalistas.

Mais impopular presidente a disputar uma reeleição na França, e o primeiro na história moderna a não ter liderado no primeiro turno, Sarkozy é visto por muitos como responsável pelos problemas econômicos da França, e seu estilo pessoal desagrada a grande parte do eleitorado.

Depois do segundo turno, ele tem feito propostas - especialmente de controle imigratório - que buscam atrair o eleitorado que no primeiro turno deu quase 18 por cento dos votos à ultradireitista Marine le Pen.

Na terça-feira, Le Pen liberou seus 6 milhões de eleitores para votarem como preferirem, no que representou mais um golpe para as esperanças de Sarkozy, que esperava uma declaração de apoio dela.

As pesquisas mais recentes indicaram uma ligeira redução na vantagem de Hollande, mas ainda dentro de uma margem confortável. No levantamento de quarta-feira do instituto BVA, ele tinha 53,5 por cento das intenções de voto, contra 46,5 por cento de Sarkozy - queda de 1 ponto porcentual na vantagem em prol do socialista.

No evento desta quarta-feira, os dois candidatos ficaram sentados em lados opostos de uma mesa, a 2,5 metros de distância, e foram observados por 20 câmeras. Até a temperatura do estúdio (entre 19ºC e 20ºC) e o tipo de cadeira (com regulagem de altura) passou pelo crivo das duas campanhas.

Sarkozy e Hollande negaram que tenham feito treinamentos especiais para o debate. Nos últimos dias, o presidente vinha criticando seu rival por ter rejeitado a realização de dois debates adicionais.

 

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