Sarkozy encabeça missão da Otan a Líbia

Delegação, que inclui o premiê britânico, David Cameron, quer mostrar apoio internacional ao governo interino.

BBC Brasil, BBC

15 Setembro 2011 | 06h48

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegou nesta quinta-feira a Trípoli, no comando da missão que foi à Líbia discutir o futuro do país com o governo interino.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que junto com Sarkozy tem impulsionado a ação militar contra o regime do coronel Muamar Khadafi, também fará parte das negociações.

A missão inclui representantes de alto escalão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar que ajudou os rebeldes a derrubar o regime.

A representação desembarcou em Trípoli, e da capital se dirigirá então para a "capital rebelde", Benghazi, no leste do país. A visita inclui discursos públicos na Praça da Liberdade, em Benghazi.

O chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafá Abdul Jalil, garantiu ao presidente francês que a delegação "estará segura".

Além de Jalil, Sarkozy deve se encontrar com outros líderes da oposição ao regime de Khadafi.

Visita calculada

O repórter da BBC em Paris Christian Fraser disse que a visita vem sendo preparada há semanas.

Por um lado, disse o repórter, a comitiva presidencial precisou esperar uma melhora da segurança na Líbia.

Entretanto, a decisão foi antecipar a visita - a primeira desde a queda de Khadafi - a fim de mostrar apoio da comunidade internacional ao CNT, que só no fim de semana chegou a Trípoli.

Segundo o correspondente da BBC, 160 agentes fazem a segurança de Sarkozy, em grande parte membros da força especializada em distúrbios públicos.

Eles se vestem à paisana e levam bolsas contendo três litros de água, alimentos e colete à prova de balas.

No Conselho de Segurança da ONU, a Grã-Bretanha circulou uma proposta de resolução que relaxa as sanções internacionais contra a Líbia.

Já o enviado americano à Líbia, o secretário-assistente para o Oriente Médio dos EUA, Jeffrey Feltman, disse que a Casa Branca apóia o governo interino e planeja reabrir a sua Embaixada na capital assim que possível.

"Estamos animados com o crescente comando (do Conselho) e controle sobre a segurança e a polícia", disse Feltman.

Ele disse que as forças americanas estão trabalhando junto aos rebeldes no controle de armas convencionais, como mísseis lançados a partir de bazucas, e não-convencionais, como gases tóxicos e agente mostarda.

Controle

Na quarta-feira, Jalil pediu que a comunidade internacional forneça mais armas para o CNT levar adiante combates em partes do país que, segundo ele, permanecem sob controle de Khadafi.

Em entrevista à BBC, o chefe dos rebeldes afirmou que a capital só terá seu status político restaurado quando o antigo líder não representar mais uma ameaça.

Jalil disse acreditar que Khadafi ainda é capaz de contra-ataques e ações contra a infraestrutura do país, porque deixou Tripoli com uma vasta quantia de dinheiro e todo o ouro do Banco Central líbio.

Os rebeldes acreditam que o líder deposto está escondido com a família no deserto do sul da Líbia.

Também na quarta-feira, Khadafi pediu que o Conselho de Segurança da ONU proteja sua cidade natal, Sirte, contra o que chamou de "atrocidades".

O pedido atribuído a Khadafi, cujo paradeiro é desconhecido desde a tomada de Trípoli pelas forças rebeldes, foi lido na TV Arrai, baseada na Síria e simpática ao regime líbio.

Na carta, lida por um apresentador da TV, Khadafi diz que "se Sirte está isolada do mundo para que atrocidades sejam cometidas, o mundo tem, então, a tarefa de não se abster, tomar responsabilidade internacional e intervir imediatamente para interromper este crime".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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