Sarkozy inicia ação para deportar mais de 700 ciganos

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, começa hoje a expulsar ciganos que vivem de forma irregular no país. O primeiro grupo sairá em um avião fretado pelo governo em direção à Bulgária e à Romênia, levando 79 pessoas. O objetivo é remover mais de 700 ciganos da França em apenas 10 dias e destruir 300 dos 600 acampamentos ilegais que existem no país.

AE, Agência Estado

19 de agosto de 2010 | 07h48

A política adotada por Sarkozy causou um mal-estar na União Europeia, já que a medida se refere à expulsão de cidadãos de países da própria UE. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para as medidas "de cunho racista" do governo francês. Para a Romênia, a decisão ameaça provocar um "surto de xenofobia".

Um dos pilares da UE é a livre circulação de seus cidadãos, exceto no caso de Bulgária e Romênia, dois dos países mais pobres do bloco e principais locais de origem dos ciganos na Europa. Pelo acordo assinado em 2007, romenos e búlgaros podem viajar para a França, mas a permanência fica restrita a apenas três meses. O acesso ao mercado de trabalho é limitado a 150 áreas que enfrentam escassez de mão de obra.

No total, 15 mil pessoas da comunidade cigana vivem em acampamentos na França. Para Laurent El Ghozi, da entidade que reúne o grupo na Europa, Sarkozy não conseguirá expulsar os 700 que prometeu, mesmo que tenha destruído 51 acampamentos. Isso porque a viagem é voluntária e parte dos que viviam nos lugares destruídos simplesmente fugiu.

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