Sarkozy 'inventa' visita a Berlim em 1989

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, ou seu staff político mentiu na página do Facebook (rede social) do chefe de Estado sobre sua presença em Berlim em 9 de novembro de 1989, dia da queda do Muro. A informação de que o jovem Sarkozy ajudara a derrubar o símbolo da Cortina de Ferro foi divulgada às vésperas do 20.° aniversário do evento e seria "comprovada" por uma foto na qual ele ataca o concreto com uma picareta. Intrigada, a imprensa francesa revistou agendas políticas da época e concluiu que a visita teria ocorrido oito dias mais tarde.

AE, Agencia Estado

11 Novembro 2009 | 07h53

A mensagem presidencial no Facebook foi inscrita no domingo. Em um texto de 19 linhas, Sarkozy, então secretário-geral adjunto do Reunião Pela República (RPR), dá um depoimento "pessoal" sobre os eventos da noite que resultou no fim da Alemanha Oriental. "Na manhã de 9 de novembro, nos interessamos pelas informações que chegavam de Berlim e pareciam anunciar uma mudança na capital dividida da Alemanha", conta. "Decidimos deixar Paris com Alain Juppé (que viria a ser premier francês) para participar do evento que se anunciava."

Sarkozy segue a narrativa afirmando que, uma vez em Berlim, dirigiu-se ao Portão de Brandemburgo, marco da cidade, onde "uma massa entusiasmada se amontoava desde o anúncio da provável abertura do muro". "Em seguida, fomos para o Checkpoint Charlie para passar ao lado leste da cidade e, enfim, chegamos ao Muro, no qual pudemos dar alguns golpes de picareta", recordou-se.

O problema é que as testemunhas do presidente são contraditórias. Juppé, em seu livro de memórias, La Tentation de Venise, publicado em 1993, relata sua estada em Berlim em 16 de novembro de 1989.

François Fillon, atual premier, foi outro a sair em defesa do presidente ontem, quando garantiu ter visto o presidente e Juppé em Berlim, onde teria estado desde 7 de novembro de 1989. A versão foi desmentida pelo jornal "Libération", que comprovou, nos registros da Assembleia Nacional, que Fillon estava em Paris no dia seguinte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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