Sarkozy muda governo após eleições e irrita sindicatos

Um dia após a derrota sofrida para a esquerda nas eleições regionais, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, realizou hoje mudanças no governo, informou o seu escritório. O ministro do Trabalho, Xavier Darcos, foi removido do cargo e substituído pelo ministro do Orçamento, Eric Woerth. Além disso, François Baroin substituirá Woerth como ministro do Orçamento, informou um comunicado do escritório de Sarkozy.

AE, Agencia Estado

22 de março de 2010 | 18h49

Enquanto o presidente anunciava as mudanças, vários sindicatos franceses anunciaram greve para amanhã, a qual deverá interromper parcialmente os serviços ferroviários e fechar escolas no país. Uma passeata de protesto contra as reformas defendidas por Sarkozy deverá acontecer em Paris.

Os trabalhadores ferroviários lançaram a greve no final da tarde desta segunda-feira e o movimento deverá interromper o tráfego de um terço dos trens de alta velocidade na França, os TGV, informou a estatal Société Nationale des Chemins de Fer Français (SNCF). Segundo a estatal, o serviço ferroviário para a Grã-Bretanha, Bélgica e Holanda não será afetado. O Metrô de Paris calcula que dois a cada três trens irão circular na terça-feira.

Os sindicatos franceses afirmam que os planos de Sarkozy não oferecem respostas satisfatórias a respeito dos empregos, salários, poder de compra e condições de trabalho - e eles esperam enviar a mensagem logo após as eleições regionais. Foram planejadas manifestações para o país inteiro e a principal deverá ocorrer amanhã na capital francesa.

Eleições regionais

No total, o partido do presidente foi derrotado pelos socialistas em 23 das 26 regiões administrativas do país. Com 99,6% dos votos contados, os socialistas e seus aliados de esquerda conquistaram 53,8% dos sufrágios na França inteira, enquanto o partido de direita de Sarkozy, a União por um Movimento Popular (UMP) obteve 35,5% dos votos, de acordo com o Ministério do Interior. A abstenção caiu nas eleições regionais, para 51% no segundo turno do domingo passado e para 46% no primeiro turno uma semana antes.

O partido de extrema-direita, Frente Nacional, também avançou nas eleições. O partido obteve entre 13% e 22% dos votos nas 12 regiões onde participou do segundo turno no domingo. As eleições deram aos socialistas o controle de 23 das 26 regiões francesas. O UMP manteve o controle da Alsácia, mas perdeu o governo da Córsega, e venceu as eleições na Guiana Francesa, na América do Sul, e na região administrativa da Ilha da Reunião, no Oceano Índico. Com informações da Dow Jones.

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