Sarkozy não obtém trégua, mas sacode indiferenças

Nicolas Sarkozy já está em Paris, vindo do Oriente Médio. Quando partiu para o Oriente Médio, no início dos ataques contra Gaza, todos ficaram pouco compadecidos do presidente. "Esse Sarkozy! Tem de meter o nariz o nariz em tudo!", ironizaram em Washington, Paris, Berlim. "Ele vai quebrar a cara." Sarkozy não voltou com um cessar-fogo no bolso. Mas, pela primeira vez, uma débil esperança brilha no céu empesteado de Gaza, em meio aos caixões das crianças mortas por tanques israelenses e o estrondo dos foguetes que o Hamas lança contra Israel. Pela primeira vez Sarkozy não se pavoneou. Não afirmou que esse modesto avanço deveu-se a seus talentos. Colocou na frente o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que defendeu um cessar-fogo e deixou entender que o Egito passaria a vigiar os túneis sob a fronteira entre Gaza e Egito, através dos quais chegam as armas do Hamas. O plano é sério. O Hamas quer obter, paralelamente, garantias de um fim do bloqueio de Gaza e a abertura das fronteiras com Israel e o Egito. Uma esperança, mas pequena. Mubarak, portanto, está na frente. Mas não foi Sarkozy que o empurrou, tentou afastar seus medos, suas hesitações? Sarkozy chegou mesmo a reunir-se novamente com Mubarak na terça-feira, um encontro não programado e muito importante. É verdade que na terça-feira, ocorreu um fato atroz: o massacre de palestinos refugiados numa escola da ONU. Mas Sarkozy não esperou esse acontecimento para partir para o Oriente Médio. Ele bateu em todas as portas. Fez barulho. Sacudiu as indiferenças. Habilmente, defendeu a causa da paz com Mubarak, que viu sua impopularidade reforçada por essa guerra no seio do mundo árabe. Assim, mesmo se essa viagem um tanto desordenada de Sarkozy ainda não pode ser considerada um sucesso, pelo menos não foi inútil. Tão logo um "drama" é anunciado, Sarko responde "presente". Pronto para a luta, coturnos nos pés e em marcha. Para o inferno? Vamos lá! E é com o diabo que precisa negociar. O que não o preocupa. Parece até que gosta. E já mostrou isso em várias ocasiões, como no caso das enfermeiras búlgaras presas na Líbia. A paz retornará ao Oriente Médio? Se a tensão diminuir, de modo mais ou menos durável, Sarkozy será o "salvador". Mas se esses dois dias de contorções acabarem num fracasso. O que se pode dizer é que: "Em todo caso, Sarkozy pelo menos tentou." *Gilles Lapouge é correspondente em ParisVITÓRIAS DIPLOMÁTICAS 12/08/2008 - Sarkozy negocia saída para a crise no Cáucaso e consegue que os presidentes da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e da Rússia, Dmitri Medvedev, assinem um acordo de cessar-fogo 13/07/2008 - Presidente sírio, Bashar Assad, é recebido com honras em Paris e anuncia a abertura da Embaixada da França em Damasco 15/01/2008 - França e Emirados Árabes assinam compromissos, entre eles um de cooperação em um programa de energia nuclear 25/07/2007 - Sarkozy vai a Trípoli para encontrar-se com Muamar Kadafi e, meses depois, assina acordo para construção de um reator nuclear na Líbia

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.