Sarkozy pede para Congo melhorar relação com vizinhos

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu hoje ao Congo que melhore suas relações com outros países da região. Aos parlamentares do país africano, Sarkozy elogiou o presidente Joseph Kabila por permitir que tropas dos vizinhos Ruanda e Uganda ajudem a combater rebeldes dentro do território congolês. O líder francês realiza uma visita de dois dias à África, e deve ainda visitar a vizinha República do Congo e o Níger.

AE-AP, Agencia Estado

26 de março de 2009 | 20h09

No discurso, o líder francês ressaltou a importância de haver uma boa relação entre os vizinhos centro-africanos. Em uma medida sem precedentes, Kabila convidou tropas dos outrora inimigos Ruanda e Uganda para ajudar a realizar operações conjuntas contra milícias no leste congolês. Desde dezembro, soldados ugandenses lutam com rebeldes do Exército de Resistência do Senhor de Uganda no nordeste do Congo. Já tropas ruandesas confrontaram desde janeiro milícias ligadas ao genocídio ocorrido em Ruanda em 1994. As tropas estrangeiras já se retiraram do Congo.

A iniciativa foi uma aventura para Kabila. Tanto Uganda quando Ruanda invadiram o Congo em 1998 e deixaram o país apenas em 2002, após um acordo de paz encerrar a guerra que envolveu mais de dez nações africanas. O chefe da gigante nuclear Areva acompanhou o presidente da França e firmou um tratado com o governo congolês assegurando o direito de explorar urânio no país. Não foi informado o valor do negócio.

O Congo tem grandes reservas de urânio e sua mina Shinkolobwe foi a fonte para parte do material usado nas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos no Japão, no fim da Segunda Guerra. Boa parte dessas minas são artesanais e o trabalho é muitas vezes feito sem acompanhamento adequado. Em 2007, um funcionário do governo foi preso, sob a suspeita de ordenar que fossem lançadas no mar 17 toneladas de lixo radioativo.

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