Sarkozy planeja ação contra greve em refinarias

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta terça-feira que realizará uma reunião, ainda hoje, para tentar suspender o bloqueio dos suprimentos de combustível no país. O fornecimento está sendo prejudicado pela greve que atinge vários setores da França, entre eles as refinarias e os caminhoneiros. "Quando eu voltar a Paris, realizarei uma reunião para desbloquear um certo número de lugares, porque há pessoas querendo trabalhar", disse Sarkozy, durante encontro com os líderes de Alemanha e Rússia em Deauville, na França.

AE, Agência Estado

19 de outubro de 2010 | 11h07

"Em uma democracia todos têm o direito de se expressar, mas isso deveria ser feito sem violência e sem as coisas saírem do controle", acrescentou. "As pessoas (que querem trabalhar) não podem ser privadas de combustível - isso não pode acontecer em uma democracia."

As manifestações dos trabalhadores causaram a paralisação em refinarias do país na semana passada. Nesta terça-feira, todas as 12 refinarias do território francês estão paralisadas. Há ainda uma greve de três semanas no porto de Fos-Lavera, importante para o setor de combustíveis. Os caminhoneiros parados também tornam o transporte do produto mais difícil.

Mesmo que o país tenha reserva para várias semanas e os distribuidores possam importar combustível de nações vizinhas, há o temor de que os consumidores queiram estocar o produto, temendo sua falta, o que causaria escassez em alguns postos de parte do país, disse ontem o presidente da União Francesa de Indústrias Petrolíferas, Jean-Louis Schilansky. Em milhares de postos pelo país, já ocorrem problemas de falta de combustível.

Manifestações

Os trabalhadores, que se posicionam contra a reforma previdenciária defendida pelo governo do presidente Nicolas Sarkozy, causam problemas no transporte aéreo, rodoviário e ferroviário. É o sexto dia de protestos nacionais coordenados na França nos últimos dois meses. No total, estão programados mais de 200 protestos de rua.

As principais centrais sindicais do país convocaram a greve contra a reforma previdenciária defendida pelo governo, que pretende aumentar a idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos. Para receber o salário integral, os trabalhadores precisarão se aposentar aos 67 anos, e não mais aos 65. A reforma já passou na Câmara dos Deputados e deve ser votada na quinta-feira pelo Senado.

"Nós também precisamos estar muito atentos com os desordeiros", disse Sarkozy. "Eu e as forças da ordem garantiremos que a ordem seja mantida", afirmou. Apesar disso, já foram registrados confrontos entre manifestantes e policiais nesta terça-feira.

O jornal francês Le Monde afirma que, segundo a polícia, há 480 mil pessoas protestando pelas ruas do país. Sarkozy disse estar temeroso de que as coisas possam sair do controle, mas acrescentou que a maior perda seria não se realizar a reforma.

"Eu pensei muito antes de buscar a reforma previdenciária", garantiu. "Essa reforma foi atrasada por muito tempo." Sarkozy disse que as pensões de 1,5 milhão dos 15 milhões de aposentados do país são atualmente pagas com empréstimos bancários. "Essa situação não pode continuar", afirmou. "Seria injusto que as pessoas que trabalharam todas suas vidas devam se aposentar sem ter suas aposentadorias pagas." As informações são da Dow Jones.

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