Sarkozy pode visitar Brasil para conquistar apoio sobre FMI

Presidente francês indicou Strauss-Kahn como candidato à direção do Fundo

Reuters

14 Julho 2007 | 17h04

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, deve visitar o Brasil para tentar ganhar apoio para seu candidato à direção do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, após países emergentes questionarem o monopólio europeu do cargo. "Nós devemos ir ao Brasil com Dominique Strauss-Kahn para apoiar sua candidatura", disse Sarkozy durante a festa anual nos jardins do palácio presidencial para comemorar o Dia da Bastilha. Sarkozy acompanharia Strauss-Kahn, que planeja visitar vários países em desenvolvimento para conseguir apoio após críticas à tradição de que europeus sempre chefiam o FMI, enquanto norte-americanos ficam com a liderança do Banco Mundial. O mandatário francês disse a um canal de televisão local: "Eu vou fazer campanha para ele ser eleito para o posto." O presidente adicionou que embora seja um conservador, enquanto Strauss-Kahn é socialista, os dois têm "as mesmas idéias sobre o FMI." Strauss-Kahn, ex-ministro das Finanças francês, foi nomeado por ministros da União Européia na terça-feira. Ele disse em um comunicado que havia discutido suas visitas no sábado com o primeiro-ministro português, José Sócrates, cujo país detém a presidência da instituição. As nações em desenvolvimento estão desafiando a idéia de que europeus e norte-americanos devem ficar com os altos cargos no mundo financeiro, argumentando que a prática já não reflete o balanço de poder econômico desde a ascensão da China e de outros países. Alguns países ricos, incluindo a Grã-Bretanha e o Canadá, concordam. Na quinta-feira, os 24 membros da direção do FMI aprovaram um procedimento para a escolha de um diretor que permite a qualquer dos 185 países membros nomear um candidato. A África do Sul, que preside o Grupo dos 20 (países em desenvolvimento), disse esta semana estar desapontada com a nomeação da Europa de um candidato sem uma consulta mais ampla aos demais membros do FMI. O debate sobre a seleção da direção é crítico para reformas maiores no FMI, que procuram reconhecer novos poderes econômicos como a China e a Índia e dar a países em desenvolvimento maior participação no gerenciamento do fundo. Sem as reformas, o FMI arrisca perder sua legitimidade, dificultando seu policiamento de um sistema financeiro global mais integrado.

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