Sarkozy promete ação contra manifestantes e refinarias

Presidente classifica greve de antidemocrática e reitera que aprovará reforma da previdência

Agência Estado e Associated Press

19 de outubro de 2010 | 08h51

Estudantes desariam policiais em Nanterre, perto de Paris.

 

PARIS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, jurou intervir nas ações dos "arruaceiros" que entrarem em confronto com a polícia nos protestos que tomaram o país nos últimos dias contra uma reforma no sistema previdenciário.

 

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Sarkozy disse compreender "a inquietação" gerada pela reforma, insistiu que a oposição tem direito de manifestar-se "sem violência" e reiterou que não voltará atrás porque o déficit atual do sistema de previdência "não pode durar".

 

O presidente francês assinalou que no seu retorno a Paris nesta tarde vai resolver a questão, porque "há muita gente que quer trabalhar" e "não pode porque não tem combustível". Ele indicou que trabalhará com as forças da ordem para conter os atos de violência.

 

Sarkozy ainda disse que a paralisação das atividades nas refinarias - o que causa falta de combustíveis nos postos do país - "não podem existir em uma democracia, onde há pessoas que querem trabalhar". O presidente insistiu que é seu dever aprovar a reforma da previdência, embora as manifestações estejam ganhando proporções maiores e caráter violento.

 

Segundo Sarkozy, o aumento demográfico e da expectativa de vida demandam a extensão da idade mínima para a aposentadoria - que passará de 60 para 62 anos. O presidente ainda disse que outras nações europeias já tomaram a mesma decisão.

 

Paralisação

 

Os serviços aéreo, ferroviário, rodoviário e de abastecimento de combustíveis na França estão prejudicados pelas paralisações, que contam com a adesão dos movimentos estudantis.

 

Todas as 12 refinarias da França continuam em greve. Os produtos derivados de petróleo não estão deixando as fábricas, exceto aqueles enviados para suprir os serviços de emergência, informou a Confederação Geral do Trabalho (CGT), central sindical que representa os trabalhadores. "Todas as refinarias estão em greve", disse Charles Foulard, acrescentando que a ação continuará em "quase todas" as refinarias até sexta-feira, já que os trabalhadores votaram a favor da manutenção do protesto.

 

Os protestos nacionais chegaram ao 6º dia nesta terça-feira. Estão programados mais de 200 protestos de rua na França. Nas cidades de Lyon e Nanterre, já foram registrados confrontos entre estudantes e as forças de segurança. Segundo uma pesquisa do instituto CSA, as manifestações contra a reforma da previdência têm o apoio de 71% dos franceses.

Ainda que o país tenha reservas de combustível para várias semanas e os distribuidores de combustível possam importar combustível de países vizinhos, há o temor de que a falta do produto leve muitas pessoas a correr para fazer estoques, acabando com as reservas nos postos em algumas áreas, alertou ontem Jean-Louis Schilansky, presidente da União Francesa de Indústrias Petrolíferas.

 

 

Outros serviços

 

A Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF, na sigla em francês) anunciou que, por enquanto, suas previsões estão sendo cumpridas. Para esta terça está prevista a circulação de 60% dos trens com saída ou destino a Paris, metade dos trens de alta velocidade (TGVs), 25% dos trens regionais e todos os Eurostar.

 

Nos aeroportos de Paris, serão cancelados 50% dos voos de Orly e 30% das chegadas e partidas do internacional Roissy-Charles de Gaulle. A companhia aérea Air France estima manter 100% dos voos de longa distância, 80% dos voos de média distância e 50% dos voos de curta distância.

 

Nas rodovias francesas, as ações de bloqueio conhecidas como "operações caracol" começam a ser sentidas sobretudo nas estradas de acesso a Paris. A greve também terá repercussão em La Poste - empresa pública de correios -, na France Télécom e no setor público audiovisual.

 

Um terço dos professores primários também cruzará os braços, segundo os sindicatos, número que o Ministério da Educação reduz para 10%. Além disso, cinco universidades se somarão à greve. Este será um dos pontos mais sensíveis da jornada, já que os protestos estudantis resultaram em 196 detenções e em torno de 20 policiais feridos na segunda.

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