Sarkozy promete punir visita a sites extremistas

Depois de conduzir durante dois meses uma campanha eleitoral com base na discriminação de imigrantes e da cultura muçulmana na França, o presidente Nicolas Sarkozy inverteu seu discurso ontem, após a operação policial de Toulouse. Em pronunciamento em rede de rádio e televisão 1 hora e 20 minutos após a execução de Mohamed Merah, o chefe de Estado falou em união nacional. "Nossos compatriotas muçulmanos não têm nada a ver com as motivações loucas de um terrorista", disse Sarkozy.

TOULOUSE, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h01

O presidente completou o discurso com o anúncio de projetos de lei para criar uma punição penal para quem frequenta sites extremistas na internet. Sarkozy defendeu ainda que pessoas identificadas como tendo participado de cursos em campos de treinamento extremistas no exterior também sejam levadas à Justiça e pediu ao Ministério do Interior um estudo sobre como coibir a propagação de ideias extremistas nas prisões do país.

No final da tarde, já em reunião de campanha em Estrasburgo, Sarkozy comentou diretamente os crimes de Merah: "Esses crimes não foram cometidos por um louco irresponsável, mas por um fanático e um monstro".

Os rivais de Sarkozy nas eleições de 22 de abril também comentaram o episódio. O socialista François Hollande saudou a coragem e a determinação da polícia. "A luta contra o terrorismo é um combate de todos os momentos. A república é sempre a mais forte", discursou.

A candidata do partido de extrema direita Frente Nacional, Marine Le Pen, voltou a criticar os muçulmanos do país.

Jean-Luc Mélenchon, candidato da Frente de Esquerda, na extrema esquerda, atacou sua opositora direta afirmando que "falta decência a Marine Le Pen". / A.N.

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