Sarkozy quebrará tradição de perdoar presos em 14 de julho

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que vai romper com a tradição de perdoar crimes de presos no dia da Queda da Bastilha, comemorado em 14 de julho, de acordo com o semanário Journal du Dimanche. Sarkozy teria afirmado que se recusa a usar os seus poderes de perdoar criminosos como forma de lidar com o problema de superpopulação carcerária. Em julho do ano passado, o então presidente, Jacques Chirac, libertou 3,5 mil pessoas no dia da Bastilha. Atualmente, o sistema carcerário francês abriga 61 mil pessoas, mas foi projetado para abrigar apenas 50 mil. Sarkozy, conhecido por sua postura "linha-dura", disse ter recebido o pedido para anistiar 3 mil presidiários. "Não vai haver perdão em massa", disse Sarkozy ao jornal francês. "Desde quando o direito de anistiar é usado para resolver o problema de superpopulação carcerária?" Situações especiais O presidente destacou que se reserva o direito de só aplicar o direito a conceder clemência em situações especiais. "Alguém se atira no rio Sena e salva três crianças que se afogavam. Daí, descobre-se que essa pessoa tem um histórico criminal. O perdão presidencial poderia desempenhar um papel nesse caso", teria dito Sarkozy ao jornal francês. Autoridades carcerárias expressaram preocupação com a possibilidade de revoltas nas prisões, por causa da decisão de Sarkozy. Em uma nota oficial, o sindicato dos agentes carcerários disse que a redução de sentenças é muito aguardada e tem um impacto psicológico importante para os presos. O dia da Queda da Bastilha celebra a invasão da prisão de mesmo nome em 1789. O episódio é considerado o estopim da Revolução Francesa.

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