Sarkozy quer período de teste para nova lei trabalhista

O ministro do Interior da França, Nicolas Sarkozy, propôs um período de teste de seis meses para a polêmica nova lei trabalhista. A oferta é uma tentativa de aplacar a crescente crise sobre a medida, apoiada pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin. As afirmações de Sarkozy foram publicadas na edição de terça-feira da revista Paris-Match e desobedeceram a ordem de Villepin que pediu unidade na posição do governo. Foi um esforço claro de Sarkozy, que pretende concorrer à presidência no ano que vem, de se distanciar de uma posição intransigente do governo em relação ao projeto. Contudo, ele afirmou que não deixará o governo como um oportunista. Villepin, outro pretendente à presidência, tem mantido uma linha firme e recusou na última terça-feira "desistir", "suspender" ou "mudar" o projeto de lei, mesmo com a pressão feita pelos estudantes. Ele quer dialogar com as organizações estudantis, mas os manifestantes exigem que o projeto seja abandonado. O premiê pediu, novamente nesta quarta-feira, que os ânimos se acalmassem e disse que entendia o que os jovens sentiam, "eles têm vontade de ser ouvidos. Eles querem as mesmas chances dos mais velhos. Isso é legítimo", disse Villepin aos legisladores que criaram a lei. Villepin já se mostra pronto a elevar sua carreira política com esse assunto, mas Sarkozy não, que vê suas chances de conseguir a presidência caírem por terra enquanto os protestos aumentam. Estudantes bloquearam dezenas de universidades por toda a França durante a greve. Um movimento nacional está marcado para o dia 28 de março, para tentar fazer com que o governo desista da lei. A lei trabalhista, aprovada no parlamento neste mês, tem o objetivo de reduzir a alta taxa de desemprego entre os jovens injetando flexibilidade no mercado de trabalho francês. Críticos temem que isso prejudique o sentimento de segurança dos atuais trabalhadores com relação a seus empregos. É esperado que a lei entre em vigor no próximo mês, com isso permitindo que os empregadores possam demitir trabalhadores mais jovens que 26 anos nos primeiros dois anos de trabalho, mesmo sem uma justificativa. Villepin, se dirigindo a legisladores na última terça-feira, disse que estava propenso a fazer concessões a alguns aspectos da medida aprovada: na duração do contrato, atualmente com dois anos, e na justificação da demissão, que atualmente não é necessária. A principal união estudantil, Unef, classificou a ofertas de Villepin como "ridículas" em relação à abrangência do protesto.

Agencia Estado,

22 Março 2006 | 15h07

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